segunda-feira, 15 de junho de 2015

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Saramago

Eis um livro impactante, minha gente!!! 
 
Não encontrei melhor adjetivo para Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que não esse: IMPACTANTE. 
 
Quem é leitor de Saramago já sabe o que esperar quanto à linguagem, troca das vozes narrativas e diálogos - que não são pontuados da maneira tradicional. O texto de Saramago é um manancial de água onde você é simplesmente levado, ora boiando, ora submerso, numa correnteza veloz rio abaixo! Se ainda não leu Saramago, de repente seria legal começar com O conto da Ilha Desconhecida

Mas hoje minha dica literária é o 
Ensaio sobre a cegueira!

Uma pessoa é acometida de uma cegueira. 
Não uma cegueira comum, onde se ´vê` escuridão, mas uma cegueira branca, leitosa. E então contagia outro, que contagia outro, que contagia outro... e em poucas horas e dias parte de um país é tomada pela falta do sentido da visão. 
Uma epidemia sem causa conhecida.
 
O Governo providencia o isolamento do grupo (tipo uma quarentena) e se compromete a fornecer mantimentos, itens de higiene e limpeza, mas quando isso começa a faltar... a dignidade e bom senso ficam rarefeitos!! Os instintos primários do ser humano se sobrepõem à educação, respeito e moral e a face mais cruel daqueles homens e mulheres cegos ficarão à vista do leitor. 
Apenas a personagem ´mulher do médico` não é acometida da doença, e permanece vendo e testemunhando o desfalecer da civilidade e a busca da sobrevivência a qualquer custo. 
Esbarro no imaginário que eu construí lendo esse livro para me desculpar por não dizer mais do que já disse, senão acrescentando que muito mais do que VER, é preciso REPARAR no outro!

A experiência sensorial e metafórica que Saramago proporcionou com Ensaio sobre a cegueira é - tocando o óbvio - minha e única.. 
Você terá que vivenciar por si só a jornada rumo ao caos que a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e outros personagens percorrem.. 
Até mesmo para admitir, se for o caso, que você também é acometido de alguma cegueira! 
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago
Obs: Para quem já viu a adaptação para o cinema dirigida por Fernando Meirelles, só vou mencionar aquilo que debatedores de literatura geralmente acordam: o livro é incomparável, e supera mil vezes o filme. ;)
 
Um beijo bom, 
Camilla.

4 comentários:

Charles Magalhães Dedeco disse...

Ótimo filme...Recomendo. Mas eu não li o livro ainda. Tenho que ler.

Charles Magalhães Dedeco disse...

Ótimo filme...Recomendo. Mas eu não li o livro ainda. Tenho que ler.

Ana Spinardi disse...

Camilla, esse livro é sensacional. Nunca consegui escrever uma resenha sobre ele porque simplesmente me faltam palavras pra expressar o impacto que causou em mim. Acho que como você disse, a experiência é única e particular, todos deveriam lê-lo!
Um outro livro que coloca essa questão levantada por Saramago ("tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso") é A Queda de Albert Camus.
O estilo literário é bem diferente, trata-se de um monólogo em que o eu-lírico conta sobre sua profissão, juiz-penitente, e o que o levou a assumir esse papel. Vou deixar um dos trechinhos que mais gosto e que mexeu muito comigo, justamente por ser difícil reconhecer que muitas vezes, por trás de atos bondosos e altruístas, há um interesse egoísta. Quem sabe você não se anima a ler ;)
"O certo é que, depois de longos estudos sobre mim mesmo, concebi a duplicidade profunda da criatura. Compreendi, então, à força de remexer na memória, que a modéstia me ajudava a brilhar; a humildade, a vencer; e a virtude, a oprimir. Fazia a guerra por meios pacíficos e obtinha, enfim, pelo desinteresse, tudo que cobiçava."
PS: concordo que o livro Ensaio sobre a Cegueira é superior à adaptação, mas achei que o Fernando Meirelles fez um trabalho muito digno. Gosto bastante do filme também :)

Minhas Impressões disse...

Olá, Camilla.
Já li "O conto da ilha desconhecida" e eu indico também para os iniciantes na literatura de Saramago.
Esse "Ensaio sobre a cegueira" é, como você tão bem disse, impactante, para dizer o mínimo. A leitura desse livro me marcou para sempre. O li duas vezes e nas duas vezes fui impactada de uma forma diferente.
Ainda não tive oportunidade de assistir ao filme, mas pretendo fazê-lo.
Abraços.

Minhas Impressões

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