segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

BONSAI. Alejandro Zambra

Olá, amigos leitores! Estava há um tempinho sem postar – acho que foi o maior hiato desde o nascimento do companhia de papel –, mas não foi por desinteresse ou desídia, afinal as leituras seguem com o mesmo ímpeto!
Mas ´aconteceram uns acontecimentos` nesse feliz segundo semestre que se mostraram romanticamente mais prioritários, se é que vocês me entendem..., de modo que escrever resenhas foi tarefa para 'o próximo sábado', 'o próximo domingo', 'o próximo feriado', e assim o tempo voou!

Mas cá estou, com meus pitacos literários frescos e maduros pra compartilhar, e temos muita coisa boa pra conversar até a ceia de ano novo!
De imediato, apresento-vos Bonsai, do chileno Alejandro Zambra, que escreve de maneira natural, orgânica, sem esforço.

Ele tem o dom do texto limpo, fluido e convidativo. 
Sua narrativa é simples, mas com entrelinhas arrebatadoras. É daquele tipo de leitura que quando termina fica o lamento e a vontade de mais. 

Bonsai, publicado em 2006, nos apresenta o fim da história de um casal que se conhece estudando literatura e, por isso, tem seu breve romance permeado por livros, inclusive nos momentos íntimos. 

A primeira linha do livro já dá o tom:
 “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia."

Zambra desconstrói a linearidade e surpreende com um livro curto, mas denso. Começa pelo final, digamos. Tal como um Bonsai, cujo cultivo exige forma e poda especiais, assim o é a escrita de um romance, como quer transmitir o autor, que também se utiliza de metaliteratura e permeia o livro com referências literárias.

"A relação de Emilia e Julio foi infestada de verdades, de revelações íntimas que rapidamente estabeleceram uma cumplicidade que eles quiseram entender como definitiva. Esta é, então, uma história leve que se torna pesada. Esta é a história de dois estudantes devotados à verdade, a dispersar frases que parecem verdadeiras, a fumar cigarros eternos e a se fechar na violenta complacência dos que se creem melhores, mais puros do que o resto, do que esse imenso e desprezível grupo que se chama de o resto. (...)" _ página 23.

Alejandro Zambra nasceu em 1975 em Santiago do Chile, e em 2010 foi eleito pela revista Granta como um dos melhores escritores hispano-americanos com menos de 35 anos de idade. Começou sua carreira literária como poeta, e o primeiro romance que publicou foi Bonsai.. sucesso de crítica e de público.





Zambra, na FLIP 2012.
Numa entrevista para o jornal O GLOBO:
- Penso que a literatura está sempre lutando no interior de si mesma, que um livro não quer ser um livro: quer ser vida - diz o escritor, em entrevista por e-mail. - Meu romance é antiliterário, precisa ir contra sua natureza para existir, capturar o pulso dos fatos, concretizar sua imaginação.

Como eu digo.. livro fino não engana.
Bonsai é outro desses, cujo texto enxuto deixa marcas, provocações e saudades.
[Note que não contei nada do enredo, justamente pra provocar sua leitura!!]
;D

Super recomendo Bonsai e Formas de voltar para casa (logo farei a resenha também). 
E pretendo comprar A vida privada das árvores, para seguir confirmando o talento do chileno. 

Mais do Zambra na sua página: www.alejandrozambra.com

Um beijo bom,
Camilla.

2 comentários:

Janaina disse...

Estou há mais de um ano namorando este livro, juntamente com A Vida Secreta das Árvores. É fininho, por isso nunca quis fazer prévia na livraria. Seria capaz de ler todo de vez e não comprá-lo: coisa feia, que não se faz.
Acho que agora vou, finalmente, comprar e ler.

Bjs,
Janaina
www.mudagerminadadejardinsalheios.blogspot.com

carolina disse...

Comprei esse livro, está na minha lista de 2015. Gostei muito do seu ponto de vista.

Beijos,
Carol

leuessecarol.wordpress.com

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