terça-feira, 19 de agosto de 2014

TRAVESSIA DE VERÃO, Truman Capote


Lá vamos nós de novo com literatura estadunidense, e o escritor da vez é Truman Capote (1924-1984)!! Escritor, roteirista e dramaturgo, e especialmente reconhecido como o pioneiro do Jornalismo literário (alguém aí já leu A sangue frio??).

Pode ser que você ligue o nome à pessoa se eu te disser que foi ele quem escreveu Bonequinha de luxo, outro clássico mundial. Aquele que teve filme com a Audrey Hepburn.

Travessia de verão é um caso à parte... 
Foi o primeiro livro escrito pelo Capote e o último a ser publicado (post mortem). Na real, há rumores de que ele nem queria que fosse publicado!
(A primeira edição de Travessia de verão foi estabelecida a partir do original de Capote, escrito em quatro cadernos escolares e 62 anotações suplementares, arquivados na coleção Truman Capote da Biblioteca Pública de Nova York.)

Neste pequeno livro de 140 páginas (editora Alfaguara) conhecemos a história da Grady McNeil, de 17 anos, que tem um caso com um boy magia de origem judia, morador do Brooklyn, cujo emprego era de cuidador de carros num estacionamento. O cenário é a Nova Iorque após a Segunda Guerra Mundial
Os pais dela vão fazer um cruzeiro na Europa e a mocinha bate o pé pra ficar e aproveitar o verão no apartamento da família, localizado na Quinta Avenida. Vai rolar bundalelê!

A narrativa é em terceira pessoa e ficamos a par do que rolava nos EUA naquele período, porquanto a partir do amor de Grady e Clyde nos é dado conhecer os costumes da época, bem como a situação social e anseios da juventude.
Travessia de verão aborda, notadamente, a questão de diferença de classes, mas deixa pano para outras discussões. 
O livro não me comoveu taaaanto, mas é inegável que Capote era muito bom com descrições!! 
Esse foi o livro de maio no clube de leitura Companhia de papel que coordeno em Santa Maria. Rendeu debate, até porque o final é abrupto e aberto, mas não foi unanimidade no gosto do pessoal.

Deixo alguns trechinhos em destaque:

"Que quantidade infinita de energia desperdiçamos a nos proteger contra crises que raramente chegam: uma força capaz de mover montanhas; e no entanto talvez seja justamente esse desperdício, essa espera tortuosa por coisas que nunca acontecem, que prepara o caminho e nos permite aceitar com sinistra serenidade a besta que finalmente conseguimos ver: resignadamente Grady ouviu a campainha da porta tocar, um som que, quando chegou, atravessou a compostura de todos os outros (menos de Clyde, que estava no andar de cima lavando as mãos) como uma agulha hipodérmica. Embora nesse momento ela tivesse todos os motivos para se retirar, estava decidida a não passar por fraca, então quando Ida disse: "Ela chegou", Grady apenas olhou na direção do grupo de anjos palhaços, mostrando-lhes a língua dissimuladamente".
*
"Então terminou, não havia mais nada que ela quisesse dele, os desejos de verão haviam virado sementes de inverno: os ventos as sopravam para bem longe antes de que outro abril as fizesse florescer."


Fiquei com vontade de conferir A sangue frio e, porque não, o Bonequinha de luxo!!

Um beijo bom,
Camilla.

Um comentário:

Bruna Cipriani Luzzi disse...

A Sangue Frio é muito bommm! ;)
Uma hora dessas vou reler!

Ocorreu um erro neste gadget