quarta-feira, 9 de julho de 2014

O PRAZER DO TEXTO, Roland Barthes

Esse Roland Barthes é O CARA.

Nascido em 1915 em Paris, Roland Barthes teve uma vida dedicada à sopa de letrinhas. Imaginem vocês que ele foi escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês(e eu aqui tentando ser uma leitora qualificada, já que ainda não plantei a árvore e sem previsão de filho). 

A resenha que apresento hoje não é direcionada pra leitores comuns de literatura convencional. É mais para estudante de Letras do que para a galera que lê despretensiosamente pra curtir a vida e ser feliz.

Eu me incluo no último grupo, é claro, mas nem por isso deixo de dar meus pulos nos corredores mais técnicos do setor de Literatura na biblioteca. 

Nessa onda de escrever resenha, por vezes questiono a pura afetividade de que me valho para dizer ou desdizer um livro. Assim, tenho buscado leitura técnica (tipo Teoria Literária e coisas afins) para engrossar meu caldo. Daqui uns dias vou subir resenha do Como funciona a ficção, do James Wood (um primor de crítico literário!!). Aguarde.

Bueno. Como eu dizia, por conta da listinha de profissões em vida, o legado de Barthes está em desenvolver os conceitos de PRAZER/FRUIÇÃO, defendendo a possibilidade de uma dialética do desejo.. Que haja um jogo, no caso, entre quem escreveu e quem leu. 

Valendo-se de Sade, diz que O prazer do texto é semelhante a esse instante insustentável, impossível, puramente romanesco, que o libertino degusta ao termo de uma maquinação ousada, mandando cortar a corda que o suspende, no momento em que goza. _página 12

Fala que existem dois regimes de leitura: uma mais direta e rápida (o desfolhamento das verdades), e outra mais degustativa (o folheado da significância), e comenta ironicamente sobre aquela ansiedade que temos quando queremos que algo aconteça, e não ocorre nada (me identifiquei!). Pior que é assim mesmo... muitas histórias acontecem não acontecendo.

Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. Não há quadro de honra, não há crítica, pois esta implica sempre um objetivo tático, um uso social e muitas vezes uma cobertura imaginária. Não posso dosar, imaginar que o texto está perfectível, que está pronto a entrar num jogo de predicados normativos: é demasiado isto, não é bastante aquilo; o texto (o mesmo sucede com a voz que canta) só pode me arrancar este juízo, de modo algum adjetivo: é isso! E mais ainda: é isso para mim! Este "para mim" não é nem subjetivo, nem existencial, mas nietzschiano ("no fundo, é sempre a mesma questão: O que é que é para mim?...") _página 20

Eu poderia citar tantos outros trechos, porque é muito bom mesmo!
Mas para não me alongar, encerro com este:

"Quanto mais cultura houver, maior, mais diverso será o prazer". _página 61.

O livro O prazer do texto tem apenas 78 páginas. Experimente!

Um beijo bom,
Camilla. 

3 comentários:

Gugu Keller disse...

Só os livros nos livram.
GK

Carla C. disse...

Oi, Camilla!
Eu me incluo nos dois grupos. Li Barthes na faculdade de jornalismo e agora, em Letras, falamos dele e o lemos. É bem bacana.
As leituras teóricas podem ser bem prazerosas. Eu li "O arco e a lira", do Octavio Paz, e é simplesmente o livro mais lindo que li na vida. Escrevi sobre ele lá no blog há alguns dias.
Beijo!

Camilla Caetano disse...

Oie, querida!! Realmente, tenho curtido as leituras teóricas.. sobretudo porque apesar de eu lidar com palavras (no mundo jurídico), estudar TEXTO é uma arte à parte de tudo e (ao mesmo tempo) complementar a tudo.
Dica do Octavio Paz anotadinha já!!

Bjo e obri pelo coment!
Cami.

Ocorreu um erro neste gadget