domingo, 27 de julho de 2014

BUDAPESTE, Chico Buarque de Hollanda

"O livro de Chico é uma vertigem. Você é sugado pela primeira linha e levado ao estilo falso-leve, a prosa depurada e a construção engenhosa até sair no fim lamentando que não haja mais, assombrado pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras. Literalmente assombrado." — Luis Fernando Verissimo, O Globo
Chico Buarque é unanimidade, pelo menos na música. E na profundidade de suas composições é possível notar aquela inquietação de alma bem própria de escritor (cócega que começa na cabeça-coração e termina na estante da livraria).
Eis que me surpreendi ao ler Budapeste, meu primeiro contato com o Chico romancista! Ele ganhou  o Jabuti em 2004 com este que é seu quarto livro publicado. 

Liga aí uma musiquinha!  http://youtu.be/6MAzAIla1XY


O livro Budapeste tem uma premissa original e inteligente... uma proposta de espelhamento Rio de Janeiro-Budapeste, mulher-amante, português-húngaro, ... Sugerindo o paradoxo da própria cidade Budapeste, que leva tal nome porque formada por duas cidades: Buda, do lado esquerdo do Danúbio (que os húngaros chamam de Duna) e Peste, do lado direito. 
Duas realidades. Duas vidas.
José Costa é casado com Vanda, com residência no Rio de Janeiro, mas, quando retornava de um congresso em Istambul, por imprevisto acaba fazendo uma escala em Budapeste e conhece Kriska - que ensina a língua húngara pra ele. 
José Costa é um escritor fantasma (cara contratado pra escrever por outra pessoa, por encomenda, ficando no anonimato), e a história do livro Budapeste toca em questões sobre autenticidade, direito autoral, do ´´chamar o filho de seu``, dos brios e vaidade daquele que concebe uma história e a vende para outro ganhar o mérito.
A narrativa é veloz. Soa coloquial e sério ao mesmo tempo. Meio que confunde os olhos a fluidez com que as coisas vão sendo contadas, a ponto de eu parar e respirar... ou mesmo ficar angustiada e correr os olhos para buscar um pausa de parágrafo. 
Perder o fio da meada será algo recorrente, caso o pegue para ler apenas em intervalos de almoço, basicamente horário em que  eu o li!
Não saberia dizer algum outro autor cujo estilo se aproxime ao do Chico, e me arriscaria – sem soar pejorativo, veja bem – a dizer que não vi Brasil ou brasilidade na sua escrita, tampouco na sua forma de descrever as coisas. 
Pra mim foi um livro confuso, veloz, surpreendente, poético...

Não tive oportunidade de assistir ainda, mas Budapeste virou filme, com direção de Walter Carvalho. Se alguém já assistiu deixa seu comentário! 
Só pra deixar a provocação... ninguém menos que Saramago teceu o seguinte comentário, na Folha de S. Paulo:
"Chico Buarque ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou ao outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com mestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro." 
Me perguntei, de onde a inspiração na Hungria? 
Simples. O Chico fala húngaro.
Sim. Tem gente que nasce com todos os talentos. :P
Um beijo bom,
Camilla.
Obs: Shame on me. Minha caderneta piscando neon avisa que tenho 4 livros por resenhar e a ideia é colocar tudo em dia, por ocasião de minhas merecidas férias que aliás começam hoje. Quem for pra FLIP deixa email, vamos se achar por lá?! ;)

Um comentário:

Carla C. disse...

Esse livro é maravilhoso, um primor. Como tudo o que este homem faz. Meu Deus.
Beijo!

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