quinta-feira, 3 de abril de 2014

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, Aldous Huxley

No domingo dia 09 de março, no encontro do clube de leitura companhia de papel, tivemos um debate extenso e profundo sobre essa obra publicada em 1931 que, à época, foi banida em razão das suas ideias subversivas. E que ideias, miagente!! À frente do seu tempo e visionário, Aldous Huxley concebeu o Admirável mundo novo como sendo uma sociedade projetada em 600 anos cujo objetivo é a estabilidade social e o meio é a ciência e tecnologia avançadas. As pessoas são geradas e concebidas em laboratório, e em seguida condicionadas mentalmente num processo louco de formação durante o sono, a hipnopedia. Homens e mulheres são alfas, betas, gamas, deltas e ípsilons (com mais ou menos inteligência, esperteza, vigor físico, etc...) e vivem em castas bem definidas.

Conceitos como família, monogamia e sentimento são tidos como coisas do passado, absolutamente vedadas e por isso criminalizadas (!!). Promiscuidade é incentivada e deusolivre se apegar mais de duas semanas com a mesma pessoa. O governo centralizador determina que relacionamentos causam instabilidade social porque a pessoa não produzirá tanto quanto um solteiro despreocupado, livre e feliz. Por falar em liberdade, o livre-arbítrio é um engodo no Admirável mundo novo, porque todos estão sob as amarras de Nosso Ford! No Admirável mundo novo qualquer insatisfação, probleminha ou mal-estar é resolvido com doses de soma - uma pílula "sossega-leão" que o próprio Estado fornece pra geral ficar contente e não reclamar de nada (qualquer semelhança com antidepressivos atuais é mera coincidência).

Se conseguir passar o choque inicial na leitura do primeiro e segundo capítulos, você vai engrenar e chegará a crer na possibilidade de tudo aquilo!! O ´problema` central da história é um rapazito revolucionário que passa a questionar o sistema... e o que acontece na sequência você descobre quando ler o dito manual de libertinagem livro!  
*
É evidente que seria banido porque foi verdadeira bomba no início do século passado!
Mas não pense você, vivente de 2014, que está ileso de ser sugestionado pelas ideias prafrentex e louvar Nosso Ford!!  :P

Essa é uma das obras mais elementares do século passado!! A cada capítulo ficamos boquiabertos com a insanidade genialidade do escritor, então não desistam da leitura se parecer complicadinha. Vale a pena conhecer Huxley!! 


Algumas pontuações que propus no encontro do clube de leitura:
 - Qual a pior forma de dominação: a visivelmente violenta ou a camuflada?
- Fale sobre a culpa experimentada pelo Selvagem quando estava na ilha.
- Há "ilhas"(onde não existam ordem, controle e condicionamento mental) nos dias atuais?
- Há um limite para o desenvolvimento humano? Se há, qual seria essse limite e quem o imporia?
- Comente o trecho: "Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas" (página 359).
- O cientificamente possível é eticamente viável?
- Nota-se semelhança entre o Selvagem John e o Chris McLandless (do livro Na natureza selvagem) em relação ao desejo de isolamento da civilização e purificação espiritual?
- "O selvagem reclamava o direito de ser infeliz". Na nossa sociedade parece que somos impelidos a intolerar a dor, tristeza e sofrimento. Concorda? Comente.
- Vivemos submetidos a "sucedâneos.." como doses regulares de felicidade?
- Comente o fato de não haver religião, mas uma adoração a Ford.

[A leitura compartilhada no clube foi essencial. Por isso combine com mais pessoas de ler ao mesmo tempo, pois otimiza a discussão!]

É um clássico de leitura indispensável por duas razões: conhecer a obra e os motivos pelos quais ela foi banida e aguçar nossa percepção e compreensão das coisas postas atualmente. Especialmente redes de televisão, estatísticas e publicidade manipuladoras.

p.s.: virou filme... quem já assistiu comenta aí!

Um beijo bom,
Camilla.

3 comentários:

marcos paulo disse...

espetaculares as contraposições entre o que é civilizado e o que é selvagem; o que um busca é o que o outro rejeita.
um toque todo especial sobre deuses (deuses morrem? não, mas os homens sim), e sobre quem é a grande divindade no romance.
os nomes e sobrenomes dos personagens, sua universalização e banalização (marx, trotsky, mustafa, bonaparte, diesel, engels).
lembro demais e constantemente das recentes palavras da adélia prado: "todo o dia penso em 3 assuntos: sexo, religião e a morte". no "admirável..." então, esse tripé é constante.
boa leitura a nossa.
boa leitura a quem ainda não conhece.

Camilla Caetano disse...

Marcos Paulo!!

Brave!

;) Bjo, Cami.

livrosmaislivros disse...

Nossa, sonhei com este livro hoje. Grande livro!
Beijo!

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