terça-feira, 11 de março de 2014

TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO, José Eduardo Agualusa

Ando encantada com os escritores africanos. Definitivamente eles tem uma particular sensibilidade de escrever prosa como se declamassem poesia, tamanha a carga emocional nas entrelinhas quando contam histórias prosaicas. Envolvida do início ao fim, me sinto cativada e amiga de cada personagem. Nesse sentido, sinto a mesma vibe em Valter Hugo Mãe, Mia Couto e, agora, em José Eduardo Agualusa. Já fiz resenhas deles aqui, aqui e aqui.
 
Teoria geral do esquecimento é o último livro publicado pelo angolano José Eduardo Agualusa. Romancista, contista, poeta e jornalista, divide seu tempo entre Angola, Portugal e Brasil. O site dele é esse aqui.
TGE é estruturado em capítulos curtos com uma narrativa simples e envolvente. É uma história de ficção baseada em fatos reais, já que se inspirou em diários pessoais da angolana Ludovica Fernandes Mano, que faleceu em Luanda em 2010. Foi originariamente concebido como roteiro de filme, mas como não deu certo José Eduardo Agualusa resolveu escrever o livro.

Luanda, 1975. No momento pré-independência de Angola a revolução obrigou vários portugueses a empreenderem fuga e Ludovica, que morava com a irmã e o cunhado em Angola, foi deixada para trás. Com muito medo de roubos, invasões e mortes, ela se isola no apartamento construindo uma parede (de verdade) para bloquear o contato com o resto do andar e do mundo. 
publicação da Editora Leya

O tempo não é linear e as causas e efeitos são separados em capítulos para mostrar que nada acontece por acaso. Com maestria, Agualusa costura os acontecimentos para que a gente compreenda o sentido dessa história que fala sobre medo, racismo e capacidade de redenção... 
Recomendo muito!! 176 páginas de sorrisos internos.

Um homem com uma boa história é quase um rei. p. 120
Verdade!

Um beijo bom,
Camilla.

4 comentários:

  1. Nada acontece por acaso. Beeeem isso! :) Escritores africanos, descobertos nesse seu baú de sua CamiMemória. Estou a fim de ler esses escritores, obviamente, pq tu indica e, quando indica, a coisa pe boa mesmo. O guria que tem faro pela literatura. Meu bjo

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  2. Eu amei esse livro, e também estou completamente apaixonada por escritores africanos, é uma literatura muito poética, dura normalmente no seu contexto, mas extremamente doce na forma de contar.
    Abraços
    Melissa Padilha
    De Coisas por Aí

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    Respostas
    1. Melissa, querida! Sigamos lendo e admirando os africanos! Meu preferido é VHM! :D

      Bjo, Cami!

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  3. ludo é portuguesa, mudou-se adulta para angola

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