sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

NA NATUREZA SELVAGEM, Jon Krakauer

O clube de leitura Companhia de papel reuniu-se no domingo, 9 de fevereiro, pra conversar sobre o livro do mês com a temática viagem. Mas Na natureza selvagem, de Jon Krakauer, é uma leitura muito além da mera questão de ´viagem`, tornando-se um marco na vida de muitos leitores. O livro de não ficção foi publicado em 1996 e 11 anos depois Sean Penn dirigiu o filme de mesmo nome. (Entre erros e acertos - considerando se tratar da narrativa de fatos reais - a meu ver as duas obras se complementam muito bem, com destaque pra trilha sonora do filme!!)
Pra quem não sabe, o protagonista Chris McLandless era um jovem americano que morreu de inanição numa região hostil do Alasca em 1992. Era um aluno exemplar e atleta que, recém graduado e apto para cursar Direito, resolve mudar o rumo da sua confortável vida-classe-média-alta desconsiderando os sonhos propostos pela família. Também inspirado em grandes escritores como Tolstói e Thoreau, Chris abdicou de dinheiro e carro e experimentou a liberdade! A liberdade de não seguir padrões impostos!
A jornada solitária de um jovem diz muito sobre anseios de mudança que nós próprios carregamos com maior ou menor peso. Nem tanto pela rebeldia própria da juventude mas em razão das inúmeras amarras e regras sociais a que somos submetidos, duvido alguém que nunca tenha tido um pensamento libertino de querer largar tudo e iniciar uma aventura mundo afora.
"Finalmente estava desimpedido, emancipado do mundo sufocante de seus pais e pares, um mundo de abstração, segurança e excesso material, um mundo em que ele se sentia dolorosamente isolado da pulsação vital da existência. Saindo de Atlanta para o oeste, pretendia inventar uma vida totalmente nova para si mesmo, na qual estaria livre para mergulhar na experiência crua, sem filtros. Para simbolizar o corte completo com sua vida anterior, adotou um nome novo." p.31
O livro tem uma pegada de reportagem porque Krakauer escreveu a partir de documentos, diários, trechos de livros destacados e depoimentos acerca da vida do jovem Chris até o fatídico dia em que foi encontrado morto em meados de 1992, apenas quatro meses depois de sua chegada no selvagem Alaska. Antes disso, sem dar as horas pra família, ele passou uns 2 anos viajando e se preparando para encarar o anseio que levava no peito.
Alexander Supertramp (identidade que assumiu) perambulou pelo oeste americano deixando ´marcas` positivas nas pessoas que conhecia pelo caminho. Nas palavras da irmã Carine, "ele era muito ensimesmado. Não era anti-social - sempre teve amigos e todo mundo gostava dele -, mas podia se isolar e entreter-se durante horas. Não parecia precisar de brinquedos ou amigos. Podia ficar sozinho sem sentir-se solitário." p. 114
Chris McLandless foi real e não um mero personagem da literatura. Foi um jovem diferenciado, cuja simplicidade é bem transmitida na linguagem objetiva de Krakauer. Muitos jovens tentaram o mesmo ideal, no entanto sem um fim trágico, e é provável que inúmeras pessoas ainda tomem Into the wild de inspiração para a saída da zona de conforto, seja ela pessoal, familiar ou profissional.
Essa leitura agradável permite diversas pontuações e um debate infinito..
São questionamentos de fundo espiritual e moral, a despeito de crença, religião ou classe social.
- brigas domésticas e traumas emocionais; - isolamento da família; - Excesso material x vazio espiritual; - isolamento e retirada para busca do eu interior; - inspiração literária; - tino de aventura x provisão e suprimentos (precauções); - carisma e elevação espiritual.
A edição da Companhia das Letras tem 214 páginas. Boa pedida para um carnaval tranquilo ao som de Eddie Vedder. ;D
Um beijo bom, Camilla.
p.s.: ainda vou tatuar Happiness only real when shared


6 comentários:

Carlos Magno Silva disse...

Não conhecia a história do livro/filme, apesar de já tê-lo visto na livraria. Despertou minha curiosidade :) Obrigado pela visita no meu blog.

Carlos Magno,
http://cantinadolivro.blogspot.com.br/

osilenciodasestantes disse...

Meu pai pediu que eu baixasse o filme porque tinha visto em algum lugar e queria revê-lo com calma. Me disse que é uma história muito linda. Mas eu não sabia que havia um livro! Adorei! ACHO que vou ter que ler hehe
Beijos!

carolina disse...

Adorei a ideia desse blog. Você escreve deliciosamente bem. Beijos.

Camilla Caetano disse...

Obrigada, querida!! De onde você é?

Bjo e volte sempre!
cami

Camilla Caetano disse...

A história é muito bonita, e muito bem contada pelo viés jornalístico - digamos assim - do Krakauer.
É uma bela leitura!!

bj Cami

Camilla Caetano disse...

Eu que agradeço, Carlos!
Abraço e volte sempre!

Bj Cami

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