sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Do curtir: muito mais que um polegar em riste

O dedão é o cara! Não é por menos que ele está ali bonitão na carteira de identidade tal qual nosso focinho sério pra dizer que somos únicos.
Pra desgosto dos papiloscopistas, bandido em fuga raspa com estilete pra burlar a responsa.
 
O cata-piolho é poderoso! Nos jogos de arena da Roma Antiga, significava o destino de um gladiador ferido. Na Inglaterra medieval, apertar os polegares molhados aprovava um bom negócio. No mundo digital, o dedo polegar é responsável pela elevação do humor, elevação do ego ou elevação do preço/valor.
 
Falando em digital, o latim digitus (dedo) se relaciona a dicere (dizer, apontar, indicar). Nada é por acaso. Vejam só o poder que um dedo tem.
O polegar em riste, símbolo característico do Facebook, é a dignificação do ser num sentido estrito, público e tenaz; é instinto humano de aceitação repetido o dia inteiro na rede social.  São tantos juízes quanto amigos online.
Curtir é o afago espontâneo de uma mão carinhosa sobre uma cabeça tristonha; é um abraço demorado de quem menos se espera; é o tapinha no ombro de quem teve uma boa ideia; é o olhar do pai que leva o filho para o primeiro dia de aula; é a espalhafatosa comemoração de um gol.

Num clique do mouse ou no próprio toque da tela do smartphone, é um dedo veloz o responsável pela aceitação, concordância e apoio. Sou, tenho, faço: tudo pode ser valorado pelo número de curtições. (Será?)
 
O curtir é incontinenti (sem demora, imediatamente) e incontinente (característica de quem ou do que não se pode conter). Eis a relevância da singela mãozinha azul capaz de enaltecer e elevar qualquer coisa levada a público, num distraído processo kafkaniano.
Like = like a boss?
A sociedade pode ser cruel. Assobiando, ela caminha levianamente com as mãos para trás e não emite sinal algum. Omite seus dedos quando na verdade o julgamento está na própria omissão.
E aí que está o poder do curtir: a sua ausência.
Um beijo bom,
Camilla.

Um comentário:

Cleuber Roggia disse...

A ausência, assim como a falta na psicanálise, determina, faz e valoriza a presença. A ausência determina o existir. Assim como o é e o não é. O ser e o não ser. Superou-te, muuuuito, nesse post. Noooossa! Tudo!

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