segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DESONRA, J. M. Coetzee

essa parte verde é uma jacket
Disgrace (Desonra) é uma obra de 1999 do escritor sul-africano naturalizado australiano John Maxwell Coetzee.
Um professor universitário se envolve com uma aluna, que acaba fazendo queixa junto à Universidade por abuso sexual. (Mas totalmente desproporcional ao fato em si, já que a moça tinha consentido e desejado tudo que fizeram).
Depois disso, David Lurie se afasta do meio acadêmico por um tempo e se ´exila` na casa da sua filha Lucy, numa localidade no interior. A nova rotina (mais rural) propõe uma série de reflexões sobre a condição de caça ou caçador que se alterna independente da etnia ou classe social, especialmente quando ..................! (segurei o spoiler heheh).

O que Coetzee denuncia na sua obra é o ciclo de violência entre brancos/negros e negros/brancos, historicamente separados pelo apartheid mas que carregam a mesma carga potencial de crueldade. O autor retrata inversão de valores e tantos outros pontos sociológicos que escapam da análise a que me proponho fazer aqui, todavia deixo o link pra quem se interessar: O grande romance de Coetzee.
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Pois bem.
Não é só porque é nobel (Nobel de Literatura de 2003) que necessariamente deve cair no nosso gosto, concordam? Eu sei que pode soar ousadia da minha parte desfazer um nobel de literatura mas, gente, eu não gostei desse livro! Sei lá. Não me conectei nem com os personagens muito menos com a história. Obviamente captei toda a crítica social que ele propôs e a profundidade do argumento, mas não foi uma leitura prazerosa.

O livro tem capítulos curtos, o que considero um recurso de aceleração de leitura. Mas apesar de eu ter lido num ritmo bom, eu ansiava por um nó narrativo mais elaborado, porém tudo o que tive foi um texto que não me surpreendeu, em que pese - repito - toda a crítica trazida pelo retrato da brutalidade humana no interior da Africa do sul pós-apartheid.
Espero que alguém que tenha apreciado Desonra abra o debate nos comentários! 
Não gosto de ser tão absoluta, mas duvido que eu vá reler esse livro. Darei chance, isso sim, a algum outro título do africano Coetzee (porque sou teimosa e não acredito muito em primeira impressão).




obs: não vi o filme homônimo com John Malkovich. Quem viu comenta aí!

Um beijo bom,
Camilla.

4 comentários:

Lu Tazinazzo disse...

Eu entendo que não é qualquer livro que ganha o Nobel da Literatura, acredito que as pessoas que fazem tal julgamento o fazem de forma verdadeira, mas, por mais que tentemos ser imparciais, a literatura é muito pessoal.

É claro que existem livros que fazem nome e marcam gerações, mas seria apenas técnica? Qual o critério? Eu sei que ninguém é obrigado a amar um Nobel, embora tal título faça com que o tratemos com mais respeito.

Eu mesma não consegui engolir 20 páginas de Saramago, e não estou interessada em tentar de novo. Vai de cada um, não acho que um leitor seja melhor que o outro baseando-se apenas em variedade da estante. Acho que a discussão é muito mais profunda que isso.

Ótima resenha =D

Grande beijo!

Camilla Caetano disse...

Ufa! Obri, Lu! ahhaha
Cada cabeça uma sentença, ou melhor, cada leitor um coração!
;)

Bjo e obrigada pela visita! Cami

livrosmaislivros disse...

Camilla do céu!
Nunca vou me esquecer minha atitude quando finalizei a leitura de "Desonra": joguei o livro longe.
Eu gostei do livro (mais do que do Homem Lento). E acho muito importante para a cultura sul-africana que os autores, sobretudo os autores brancos, denunciem todas as questões raciais e sociais do país. Por isso, o respeito demais!
No ano passado, o Coetzee esteve aqui em Curitiba e pude assistir a uma palestra dele, na qual ele falou justamente sobre o que escritores brancos que se bandeavam pro lado de lá da causa sofriam por parte da classe acadêmica. É uma luta extremamente válida, não?

Mas entendo quando você diz que não se conectou com o livro e seus personagens. Acontece o mesmo comigo quando leio Philip Roth, por muitos considerado o maior escritor norte-americano contemporâneo.

Beijos!

Camilla Caetano disse...

Adorei teu comentário.
Concordo sobre a validade das lutas sociais, especialmente as que denunciam preconceitos étnicos, mas é claro que cada escritor tem uma maneira de expressar o descontentamento diante da indiferença e violência do seu país.

Por acaso não gostei do Desonra. Porém, como disse, ainda insistirei no Coetzee.
Agora em fevereiro li Agualusa (angolano)... e daqui a pouco vou ler OUTRO do VHM.. Ou seja... estou sendo conquistada pelos africanos!
:)

Um beijo, volte sempre!
Camilla.

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