segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA, Edney Silvestre

Depois de férias na praia, onde descansei (adivinha?) lendo, retomo as atividades aqui no Companhia de papel com algumas resenhas por publicar... [Acho que o sol na cuca otimiza as leituras, não acham?! Não fosse o Kobo eu teria ficado sem outras opções, já que levei apenas duas companhias de papel na mala! Quem nunca?]
Pois bem.. eis um premiado Jabuti que o clube de leitura escolheu para o primeiro encontro do ano: Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre. (esse livro ganhou o Prêmio Jabuti 2009 na categoria romance).

Paulo e Eduardo, dois amigos de aproximadamente 12 anos de idade, encontram o cadáver de uma mulher à margem de um lago numa cidadezinha interiorana do Rio de Janeiro, fato arquivado pela delegacia local. A partir de então, diante das marcas de violência e um seio decepado, os guris resolvem investigar o crime e suas circunstâncias contando com o auxílio de Ubiratan - um senhor que fugiu do asilo. A vítima e suas ascendentes eram mulheres morenas constantemente agredidas pelos senhores da cidade por isso todos queriam abafar o caso...
Questões políticas e sociais vêm à tona na abordagem de Edney, que contextualiza a narrativa no período histórico pré-revolução, em meados de 1961, quando o mundo comemorava a chegada do homem à lua e o Brasil celebrava o crescimento do país creditado ao governo JK. Todavia, o interior brasileiro continuava sofrendo as consequências do coronelismo.
A amizade dos meninos é cultivada apesar das diferenças de classe social e cultural, e é essa tenra amizade que confere leveza ao livro, mostrando o quanto somos crus até perceber a realidade como ela é.
*
Numa noite no início de janeiro, em volta da piscina e saboreando galetinhos, nosso grupo debateu as seguintes pontuações...

- a história do livro acontece num período histórico pouco abordado na literatura brasileira, que é vivenciado de maneiras diferentes na capital e no interior;
- As identidades escravizadas das mulheres fazem parte só das baixas classes sociais? Há Anitas ou Aparecidas na classe A?
- Último ano do mandato de JK, modernização do país e chegada do homem ao espaço versus mentalidade interiorana e coronelismo;
- o livro faz um exercício de memória afetiva. Como e em que medida as vivências da infância influenciam nossas escolhas futuras?
- o desfecho do livro surpreendeu? Que outro final sugere?
- o papel de Ubiratan na ´investigação´ do crime;
- amizade de Paulo e Eduardo;
É isso aí, literatura brasileira abrindo 2014 aqui no Companhia de papel!!

obs1: telefonei pra editora Record tentando um contato com Edney Silvestre. Eis que ele próprio me mandou email com seu número de telefone. Então, bati um papo cabeça com o jornalista e escritor, que ficou grato por nosso grupo ler e debater sua obra. Comentou sobre o trabalho de pesquisa que empreendeu para escrever o Se eu fechar os olhos agora; falamos sobre atualidades do mercado editorial, jovens escritores e amenidades literárias. Eu fiquei toda prosa contando para os amigos do telefonema, em que, inclusive, me indicou alguns títulos. Obrigada, Edney! :D

obs2: Se alguém ainda não sabe, o Edney Silvestre está à frente do programa Globo News Literatura, na TV a cabo. Vale conferir!!
Um beijo bom,
Camilla.

4 comentários:

Tiago Cechin disse...

Muito legal o post e parabéns pelo esforço de falar com o autor. Isso demonstra a importancia de fazer o que amamos. #atéqueemfim

Camilla disse...

Certamente o que se faz com amor, com amor frutifica.
Obrigada pela visita! Volte sempre!
:)

Carla C. disse...

Eu realmente não gostei deste livro. Achei bem fraco e muito mal escrito. Admiro o trabalho dele como jornalista e, sobretudo, o Globo News Literatura. Fora que ele é, de fato, muito gente boa (meu namorado teve a oportunidade de encontrá-lo em alguns eventos literários). Mas, como romancista, achei bem aquém do que temos de bom na literatura brasileira contemporânea.
Beijos.

Camilla Caetano disse...

Sem hipocrisia, eu também não ´adorei` esse livro... Omiti essa opinião direta na resenha em respeito ao próprio Edney, que foi um querido.. e falamos sobre isso ao telefone.
Ele tem uma pegada jornalística (obviamente) e uma maneira de narrar mais informativa, o que penso prejudicar o romance em si - ou tentativa de.
Enfim.. é bom perceber o quanto vamos ficando críticos hehhehe E é claro, tudo depende de parâmetros e histórico pessoal de leituras...
Por exemplo: tem gente que amou 50 tons.. eu já odiei, só li o primeiro. heheh
Bjo carlaaa

Cami

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