quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Do não arrependimento

Se me perguntassem ´Camilla, que livro tu te arrependeu de ler?` eu pensaria por uns minutos e talvez demorasse até formular uma resposta razoável. Mas como matutei um pouco antes de escrever esse post lhes digo: ´nenhum`.
Explico.                
Na linguagem literária o bordão ´tempo é dinheiro` tem um significado peculiar porque em se tratando de livros há um infinito de títulos interessantes, dos clássicos indispensáveis aos contemporâneos freneticamente publicados a cada semestre, por isso a escolha da próxima leitura é delicada como uma borboleta e decisiva como um pênalti.
 
Quaisquer decisões trazem consigo o custo de oportunidade, que é aquele tanto que deixamos de ganhar caso tivéssemos escolhido a opção deixada de lado, e o custo de oportunidade de livros é infinito! (Mais sobre isso no post O paradoxo da escolha).
 
Voltando à pergunta acerca de arrependimento, note que ela só tem espaço porque conservo a mania de ´tendo começado um livro vou até o final`, ainda que meio chato ou não empolgativo, o que nos joga diretamente pro dilema tempo de vida x livros desejados.
Eis minha teoria. Vou mostrar pra vocês como a vida de um leitor contumaz é tensa. #exagerada. Fiz um cálculo bastante opressor, confesso, mas necessário, para demonstrar a finitude do ser o quão apreensivo é aquele momento de parar em frente à estante pra puxar a próxima companhia de papel.
Se a proposta for a média de 1 livro/mês, serão 12 livros/ano e 120 livros/década. Considerando o período dos 20 anos aos 70 anos de idade, conclui-se que temos 5 décadas de vida útil de leitura. Por cima, entonces, somaremos uns 600 livros na vida!!! (cara de espanto + tristeza). É pouca leitura pra uma vida curta, minha gente!
/Uma noite longa
Pr'uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar.../


Veja bem, muito mais que constituírem nossa biblioteca empoeirada os livros têm o poder de definirem a nós mesmos. Tal uma pessoa que cruza nosso caminho, permanece por um tempo e depois sai de cena, é muito provável que façamos leituras em que apenas um capítulo ou um parágrafo será útil e capaz de tocar a gente.

Por isso não me arrependo de nenhum livro.
E não me arrependo de nenhuma pessoa.

/E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar.../
Um beijo bom,
Camilla.

4 comentários:

A.V Scarlet disse...

Oi, flor! Antes de tudo, achei teu blog uma graça!
Concordo inteiramente com você não me arrependo de nenhum livro lido, até aqueles que não gostei tanto, sempre guardo todos, afinal passei um bom tempo com eles! rsrs No fim, fazem parte da minha vida...
Estou seguindo seu blog, queria te convidar para conhecer o meu também, ficaria muito feliz com sua visitinha,
Beijinhos,
Scar.
http://wonderlandmundodoslivros.blogspot.com.br/

Lu Tazinazzo disse...

CARAMBA! Esse post me fez pensar agora =/ É pouco tempo para tanto livro bom por aí, ai que desgraça!!! Mas é bom ter em mente que quantidade não é qualidade, então vou começar a ponderar mais minhas escolhas! Ótimo post, beijão!

Camilla Caetano disse...

hehhehe Parece conta de louco, mas faz todo sentido, não?! HAHAHHA
Bueno! Boas leituras, sempre!
Bjão, querida!

O Sábio Grego disse...

Isto que e' fazer cálculos. Mas quem depende de leitura para seu trabalho, precisam ler muito mais.

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