sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O PEQUENO PRÍNCIPE, Antoine de Saint-Exupéry

O clube de leitura companhia de papel reuniu-se no domingo, 13 de outubro, pra debater a leitura do mês: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Tão conhecido e publicado quanto a Bíblia e o Corão, a singela estória de um piloto - que por uma falha mecânica no avião vai parar no deserto do Saara - eterniza princípios universais sobre a vida em sociedade. A escrita simpática e ilustrações delicadas camuflam numa fábula as nossas fraquezas de adulto que tentamos camuflar.
*
O pequeno príncipe é sábio como o mestre Yoda, com a diferença de que o Grande mestre da ordem Jedi dá conselho na lata e o principezinho deixa nas entrelinhas. Mas, ainda assim, atinge nosso brio ao descrever cada tipo de pessoa nos planetas que vai desbravando: do homem que pensa em números ao rei que só enxerga súditos; do vaidoso sedento por admiradores ao geógrafo que anota tudo sem saber o porquê. 
Sábio é o leitor que se identifica com a raposa, porém mais sábio ainda aquele que se vê, ora ou outra, na rosa orgulhosa, no guarda-chaves ou no vendedor de pílulas pra matar a sede. :)
A sabedoria da mensagem de O Pequeno Príncipe está justamente em, percebendo as falhas de caráter de cada personagem, retirar um conteúdo moral e praticável na busca do sentido da sua vida.
Se é dureza acordar, sorrir para motoristas que te fecham, discutir jurisprudência do TJ do Acre, a subida do dólar, o formol nas progressivas, o potencial emagrecedor do chocolate e outras polêmicas que a Veja/Globo/Nasa se encarrega de incutir na nossa inteligência medianta, imagina pra quem fala imbigo? Imagina pra quem não busca sentido pra sua existência? Pois é.
Se você acha perda de tempo refletir sobre o sentido da vida e ´´para quê vim ao  mundo?`` considere-se um zumbi.
De volta ao conteúdo do livro... notamos que aquelas clássicas (e decoradas) frases ´´Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas`` e ´´O essencial é invisível aos olhos`` são escritas com frequência e repetição em dedicatória (até) de livro de culinária e declamadas com louvor pelas misses magras e cultas. Todo caso, mergulhemos mais fundo neste texto pra alcançar a filosofia que o Exupéry propõe: 

´´Quando a gente anda sempre pra frente não pode mesmo ir longe``.

´´Mas ninguém lhe dera crédito por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim.``

´´- E de que te serve possuir as estrelas?
- Serve-me para ser rico.
- E para que te serve ser rico?
- Para comprar outras estrelas, se alguém achar.``

´´É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar``.
E por aí vai.. cada capítulo um soco!
Mas agora, dando meu pitaco, acho que o principezinho nada mais é que uma miragem do piloto (com sol do Saara na cabeça), e representa a consciência dele próprio quando criança! E daí todo o resgate da alma infantil cujos valores (muitas vezes) são gradativamente esquecidos quando se tornar adulto supõe vestir gravata e responsabilidades e pagar imposto. ´´É assim pra todo mundo``, ´´faz parte``, dirão, sem romantismo, os auditores da Receita. Enfim.
Será que suas coisas sérias são mais sérias que a profissão do hippie que fabrica pulseiras e faz piruetas no semáforo? Será mais importante regar a flor ou colocá-la sob uma redoma? Será que cegados pela rotina descuidamos de olhar o essencial? ...
OBS: no parágrafo abaixo vou encerrar meu post em respeito às pessoas grandes e ocupadas que abriram o blog rapidamente no meio do expediente e não têm tempo pra ler muitos caracteres que podem ou não trazer luz à sua assoberbada semana. 
Então, caro leitor, é impressionante como as lições desse livrinho (infantil?) ganham novos significados aos 12, aos 20 ou aos 58 anos de idade. Se não leu, ainda dá tempo! X)
Depois volte aqui pra comentar. Não a clássica pergunta se terá ou não o carneiro comido a flor?, e, sim, por que o principezinho abandonou o seu planeta B612, afinal?
Um beijo bom,
Camilla.

5 comentários:

Luciano Mai disse...

Muito bom! Adorei reler esse livro! #ficaadica

Bruna disse...

Fechou bem com: "no parágrafo abaixo vou encerrar meu post em respeito às pessoas grandes e ocupadas que abriram o blog rapidamente no meio do expediente e não têm tempo pra ler muitos caracteres que podem ou não trazer luz à sua assoberbada semana"

:D

Adoro esse princepezinho

Lu Tazinazzo disse...

Eu gosto muito desse livro, de verdade, mas sinto que ele não mudou minha vida como parece ter mudado a de tantas outras pessoas. É uma grande obra, indiscutivelmente, mas outros títulos mexeram mais comigo. Beijão!!!

Vinícius disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinícius disse...

Este livro me marcou muito. É impressionante como ele é simples e, ao mesmo tempo, traz lições profundas, principalmente pra mostrar que, muitas vezes, apesar de envelhecermos e ficarmos mais experientes, a nossa forma de pensar fazia mais sentido quando éramos crianças.
Um beijo!
Vinícius

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