segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O CHAMADO DA NATUREZA, Jack London

O Chamado da natureza ou O chamado da floresta foi indicado no site papodehomem como uma leitura para macho, mas qualquer gênero que conviva com bicho de estimação, especialmente cachorro, vai gostar muito!! A estória é intensa e contada sem frescura.. e deve ser por causa dessa linguagem objetiva que o classificaram ´pra homem`! (obs: mulheres também sabem ser objetivas, viu!?)  :p
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Em 1867 os americanos compraram do Império Russo o território Alasca, mas somente um pouco antes de 1900 aconteceu de descobrirem ouro por lá, o que atraiu uma galera de garimpeiros americanos em busca de riqueza. Um desses era o Jack London, cuja vivência e cenário inspiraram O chamado da floresta, Caninos brancos, O lobo do mar, entre outros. 

O protagonista de O chamado da floresta é o cachorro Buck, uma mistura de São Bernardo com pastor  que tem a sorte dos atuais cachorros de apartamento. A felicidade do Buck é a vidinha doméstica onde pode comer, brincar e dormir até que é roubado do dono e levado com mais uns quantos cães para puxar trenó rumo ao Alasca. Durante a jornada ele sofre no pelo (na carne, nas patas..) as intempéries e os maus tratos dos homens  que conduzem a matilha. ´´(...) um homem com um porrete era um legislador, um mestre a ser obedecido, embora não necessariamente respeitado``. E o sofrimento moral fica por conta da crueldade dos lobos e cães que, manjados na atividade, exercem domínio sobre os novatos. A hostilidade do ambiente testa sua adaptabilidade, mas o instinto de sobrevivência é mais forte que o gelo, o vento e a dor. 
 
´E não somente ele aprendeu através da experiência, como instintos mortos há séculos retornaram à vida. As gerações de animais domesticados foram sendo descartadas. De uma forma vaga, ele recordava as experiências ocorridas aos primeiros de sua raça, retornava ao tempo em que os cães selvagens corriam em alcateias através das florestas primitivas e matavam seu próprio alimento depois de persegui-lo até a exaustão. Não foi absolutamente difícil para ele aprender a lutar com a tática dos lobos, de cortar, de retalhar, morder rapidamente e então saltar par afora do alcance do adversário. Era a maneira como combatiam seus antepassados esquecidos. Eles fizeram ressurgir a vida antiga dentro dele, e as velhas artimanhas que haviam gravado na hereditariedade de sua linhagem tornaram-se as suas próprias artimanhas. Retornaram a ele sem esforço nem sensação de descoberta, como se as tivesse praticado durante toda a vida. (...)´  (capítulo 2)
 
Esse livro é fantástico porque não é clichê como algumas estórias protagonizadas por animais. Tem um estilo mais bruto realista e narrado do ponto de vista do cachorro. Cada capítulo avança para um encontro íntimo do Buck domesticado e afetuoso com o Buck compelido à origem selvagem e instintiva, sem retirar dele o entusiasmo no trato com seu amo. ´Ele conservava a fidelidade e a devoção, coisas nascidas do fogo e do teto. Porém mantinha sua selvageria e sua astúcia instintiva`. (...) (capítulo 5)
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Baseado na história real do americano Christopher McCandless, Sean Penn dirigiu o filme Into the wild (Na natureza selvagem) onde um jovem americano ´rasga` seu recém conquistado diploma e parte sozinho numa aventura rumo ao Alasca. O chamado da natureza é um dos livros que fazem companhia pra ele nessa empreitada. 

Uma excelente companhia de papel, eu diria. Vale a pena!

Um beijo bom, Camilla.

2 comentários:

Carla disse...

Camilla,
também gostei bastante do novo layout!! Às vezes, falta tempo para comentar, mas sempre passo por aqui!
Vamos trocando impressões de leituras.
Ah, vou responder seu email com calma logo mais!
Beijo!

mm amarelo disse...

Oi Camilla,
Adorei seu texto. Esse é o tipo de livro que sabia que existia, mas não sobre o que se tratava exatamente. Gostei dessa ideia do animal domestico entrar em contato com um instinto inerente à espécie, que transcende a vida dele.
Essa é uma leitura que quero fazer, com certeza.
beijo grande,
Maira

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