quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Intervenção de terceiro #5, com Diego Hahn

Nineteen Eighty-Four é um romance distópico clássico do autor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, um dos escritores mais influentes da sociedade moderna! Também foi ele que escreveu A revolução dos bichos, cuja resenha postei aqui.
O santamariense Diego Hahn, do blog De letra, mandou sua resenha do 1984! Vamos dar uma espiadinha (#tipoBial) ??

 
O detalhe mais popular da obra-prima de George Orwell (ao menos no nosso Brasilzão) é o termo ´´Big Brother``, devido ao reality show que leva o nome do poder supremo da velha Oceania do livro. É, meu amigo, não foi o Bial que inventou o Big Brother e nem a Globo que inventou o totalitarismo. 


Sempre se associou a sociedade controlada descrita na obra ao regime soviético stalinista, o que sempre pareceu bem óbvio já que Orwell era um socialista decepcionado com o regime totalitarista que imperava por aquelas bandas em tempos de Guerra Fria. A ´´sociedade controlada`` no livro é a Oceania, um dos três países remanescentes de uma grande guerra mundial, juntamente com a Eurasia e a Lestasia, contra as quais se mantém em guerra. Impera um regime totalitário onde o governo controla a tudo e a todos, monitorando a vida das pessoas através da "teletela" - uma televisão de duas vias onde o espectador assiste e é assistido.


Se já faz um tempo que caiu o Muro de Berlim e com ele, quase por completo, o comunismo, por que "1984" continua tão atual e há sempre referências a ele quando se tratam de fatos do nosso cotidiano? Não será tão somente para criticar os resquícios do comunismo nos regimes de Cuba e da Coréia do Norte?Será?

Apesar de focar sua crítica no regime soviético do final dos anos 40, Orwell acabou tornando-se uma espécie de “profeta”. Particularmente para mim fica difícil não visualizar a face do Grande Irmão em algumas bandeiras que tremulam imponentes sobre nosso mundo globalizado - especialmente depois do vazamento de informações confidenciais da inteligência estadunidense que dão conta de que o país conta com um intrincado sistema de monitoramento de ligações telefônicas e comunicação em redes sociais, e-mails, e outras ferramentas, na internet, planeta afora...

Isso sem falar, é claro, nos satélites e seus Google Street Views e Google Earths e tal, a não nos deixar sumir do mapa... Assim, estamos lá, queiramos ou não. E, a propósito de querer ou não, o mais incrível de tudo talvez seja exatamente isso: parece que a todo custo queremos estar lá! - sem nos importarmos nem um pouco ou sequer pensarmos a respeito de eventuais consequências e efeitos colaterais da exposição contínua...

Flagrei-me imaginando a face imponente do Grande Irmão pairando na nossa velha e boa rede mundial de computadores, especialmente na tela de entrada de algumas redes sociais – como no Facebook, que dado sua abrangência virou uma espécie de império virtual mundial. O curioso, neste caso, é que esse suposto novo Grande Irmão seria tão sutil e perspicaz que não nos obrigaria a nada: ele conta com a nossa bondade e a nossa espontânea colaboração e nós, por contra própria, expomos tudo – nossos dados pessoais e de nossos familiares e amigos, nossos rostos, nossos corpos, nossa localização exata neste exato instante; enfim, nossa vida inteira ali, para ele.
E como o Facebook, por exemplo, foi uma das empresas que cedeu seus dados – ou melhor, o de seus “clientes”, ou sua “população” – ao governo norte-americano, seria, de certa forma, um “círculo que se fecha”... Parece que o Grande Irmão se transformou, se adaptou, se refinou, fez-nos acreditar que é tudo legal e não há perigo algum: tudo existe para o nosso bem. Não precisamos mais levar porrada como levou Winston, o protagonista de 1984, na ficção de Orwell. E, como é
tudo inofensivo e para o nosso bem, o Ministério do Amor continua ali de prontidão (piada interna).

Os motes do Partido que controlava Oceania eram: “Ignorance is strenght, freedom is slavery, war is peace” (ignorância é força, liberdade é escravidão, guerra é paz). Mais alguma semelhança com a realidade talvez seja mera coincidência, uma fantástica profecia do escritor... ou pura obviedade!
Diego Hahn.

Agradeço ao Diego a gentileza em dividir conosco sua percepção do Grande Irmão ´´profetizado`` no livro de Orwell. Se se trata de espionagem, inteligência comercial ou quebra diplomática, bem ou mal, estamos inseridos nessa sociedade de informação e sujeitos a olhos que (nos) enxergam mais longe!

Um beijo bom,
Camilla.  

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