quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Da simplicidade revelada num único pó

O implemento de idade, ou, se preferir, o amadurecimento, revela a simplicidade.
Recordo que eu surtava frente às inúmeras novidades em maquiagem e pesquisava na internet como/quando/onde teria lançamento a preço amigo. Sites especializados ou não (americanas, ebay, amazon..) oferecem a quinquilharia toda pra pele ficar mais lisa, as bochechas proeminentes e os cílios alongados tipo quase fazendo cócegas na pessoa da frente. É um sem-fim de possibilidades. Recordo que amaaaava a revolucionária máscara Oscilation, da Lancôme (se a Ana Paula Bordin ler esse post poderá confirmar), mas substancialmente nunca fez muito mais do que a popular Avon. :p
 
Daí que nos últimos tempos observo meu arsenal de ´barbie adulta` subutilizado e indo pra doação ou lixo e, veja bem, não é porque fiquei mais bonita naturalmente, mas porque me dei conta de que certas coisas (e a quantidade delas) vão perdendo a importância junto com a data de validade.
Não usei todos os tons de sombra que adquiri em viagens, sequer ressaltei meu olhar com os iluminadores Clinique e Revlon dispostos ao lado de 9 ousadas cores de batons Mac!!
Na real, nunca soube lidar com pincel para esfumar a pálpebra e tornar o olhar mais profundo, penetrante, sexy ou preto com borrão mesmo.
 
É meio óbvio, mas o poder revelador da maquiagem é inútil se não tiver o que ser revelado. E o mais competente maquiador não fará milagre se o brilho não surgir de dentro. O Raphael Lindeker há de concordar que dentes alinhados não serão destacados com batom nos lábios, nem rímel nos cílios terá o poder de evidenciar olhos azuis, senão um sorriso espontâneo e um olhar sincero.
Talvez o sutil processo de validação pessoal e social por que passamos – em fases, intensidade e tempos diversos – se esgote numa manhã de terça-feira ao contemplar seu rosto amanhecido e decidir dispensar o corretivo. Pela simplicidade do natural. Pela saudável linha de expressão cujo aparecimento só indica vida. Pela dignidade das olheiras de amamentação ou estudo noturno.
Veja só, eu não estou falando em renúncia da vaidade – que compõe a autoestima -, mas me refiro a contemplação do belo sem adereços.
É sentir que com o tempo o afã de possuir muitos e variados itens é substituído pela vontade de manter os poucos e bons que já se tem: se por um lado essa conclusão/desapego libera espaço e cartão de crédito, por outro deixa a vida e a pele mais leves. É virtude do tempo essa renovada percepção do que é indispensável ou dispensável.
De itens de maquiagem a hábitos e pessoas.
 
Estou contente por perceber que sobrevivo com uma base, um pó, um blush, um rímel. E dispenso iluminador!
obs: É que eu fiz faxina no meu armário de maquiagens ontem, por isso o metafórico devaneio.
 
Um beijo bom,
Camilla.

2 comentários:

Raphael Magalhães disse...

Adoreiii,observações inteligentes como só tu sabe fazer. Parabéns e sucesso sempre! O essencial é sentir-se bem consigo mesma,se essa beleza e confiança não vier de dentro,não há maquiagem que ajude! Beijos beijos

Camilla Caetano disse...

;) Obri, Raphael!!
Sucesso, querido!
bjão

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