segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Intervenção de terceiro #4, com Bruna Cipriani Luzzi

Hoje a seção Intervenção de terceiro conta com a Bruna Cipriani Luzzi, a quem agradeço desde já. Nos conhecemos por seu interesse em participar do Clube de Leitura companhia de papel, enviando email para se integrar ao grupo depois que viu uma matéria no jornal local. É a literatura propiciando novas amizades! E também foi ela uma das ganhadoras do sorteio de aniversário do blog, cujo prêmio foi uma obra do Saramago.
Confira a resenha que a Bruna fez pra gente:  
Os brutos amam, as mulheres lutam...
A Casa dos Espíritos (1982) conta a história de amor de um homem rude que jura fazer riqueza após perder uma grande paixão na juventude e, junto com os novos amores - a esposa, a filha e a neta -, conta a história do Chile durante o século XX.
O livro é a obra mais conhecida da escritora naturalizada chilena (pois é nascida no Peru) Isabel Allende, prima do presidente de regime socialista (também do Chile) Salvador Allende.
Esse homem rude, Estaban Trueba, divide a narrativa da história com sua neta Alba, uma menina atrevida e sonhadora que vive as penúrias da ditadura do General Augusto Pinochet – baseadas na vida da própria Isabel. Sua mãe, Blanca, desde muito pequena desafiou o pai, e afronta ainda mais o patriarca da família ao engravidar de Pedro Terceiro, um trabalhador e cantor revolucionário.
Clara (esposa de Estaban e mãe de Blanca, Jaime e Nicolas) é sensível a seres de outras dimensões e tem o poder de movimentar objetos com a mente. Aprendeu com a mãe sobre generosidade e por isso abre o seu casarão de esquina para receber todos os tipos de necessitados.
É através dos diários de Clara que Alba conhece a vida da família e narra essa história. O ponto forte do livro é suas mulheres (guerreiras, batalhadoras, feministas, fortes), mas eu gostei muito de Estaban Trueba. Um homem conservador que desafiou o amor e a paciência de todas as suas amadas, e no fim de tudo percebeu que acabaria sozinho. A velhice trouxe flexibilidade de pensamentos e sentimentos, depois de ter perdido Clara. Aquela velha lição de vida!
Outro ponto forte da obra é a política, razão pela qual é muito conhecida. Essa era uma das minhas grandes curiosidades: Como ela abordaria o governo do primo? A parcialidade me surpreendeu. No livro, ele é citado como O Presidente. Outra personalidade presente é a de Pablo Neruda, poeta chileno considerado um dos mais importantes do século XX, que faz uma pontinha na trama como O Poeta, apesar da participação ser o seu próprio funeral.
Apesar de extenso (cerca de 450 p.), o livro é uma ótima pedida para quem gosta de conhecer outros países, suas histórias e conflitos. E, ainda, tendo a fascinante família Trueba como pano de fundo, que não diferente de tantas por aqui e ali, com seus amores, desentendimentos, disputas e felicidade. Além do mais, para quem gosta de versões cinematográficas, o livro foi adaptado para as telonas em 1993, com Meryl Streep, Glenn Close, Winona Ryder e Antonio Banderas.

A obra da Isabel Allende é inseparável da ditadura no Chile e sua leitura sugere um passeio pela história e política do país vizinho, tipo de conhecimento que, por vezes, nos é oferecido rasamente no colégio. Com esta resenha fiquei no mínimo curiosa para conhecer mais dessa escritora, marco da literatura latino americana.
 
´La felicidad que se vive deriva del amor que se da.`  Isabel Allende

Um beijo bom,
Camilla.

2 comentários:

Bruna disse...

Obrigada pelo espaço no blog Camila! Espero que o pessoal goste e se interesse em ler esse romance histórico!

E a literatura com certeza propicia novas amizades, adorei!:D

Bjao para todos

Anônimo disse...

Legal, Bruna!
Bela resenha... deu um bom "panorama" da obra...
Vi o filme e à época ele me pareceu um pouco também com um "O tempo e o vento" chileno (as gerações da família passando em meio a revoluções e outros contextos históricos do lugar - e, curiosamente, até um Pedro meio guaipeca, o personagem do Banderas no filme, que se envolve com uma moça da família, para desgosto desta, tal qual o índio Pedro Missioneiro do Veríssimo!), se recordo bem...
Olha aí, o Clube de Leitura se transferindo pro blog aí também! :)
Abraços
Diego

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