quinta-feira, 18 de julho de 2013

Do sal da vida

Essa semana levei meus pais ao cinema. 
A comédia começou no elevador do Santa Maria Shopping enquanto eu explicava que o filme era brasileiro e que, apesar disso, não tinha cenas de violência, drogas, sexo e po%#&, car@%&! ..
- Pai, fica tranquilo, a faixa etária é adequada pra idosos! 
E rimos. Há 5 anos meu pai ingressava na ''categoria'' terceira idade, e deste então, numa espécie de negação, preferimos levar na brincadeira esse termo pejorativo
De qualquer forma, naquele dia foi desnecessário apresentar identidade pra garantir o direito, já que nas quartas-feiras todos pagam meia entrada. Ele se sentiu mais jovem por isso. :)
 
A partir da logística estabelecida, eu desci pra buscar café, a mãe comprava pipoca; e o pai entrava pra guardar lugar estratégico ao fundo e próximo do corredor central. 
Entrei lépida na sala de cinema com capuccino pra mim, café com leite pra ele e um sorriso de orelha a orelha pra quem quisesse ver minha alegria.
Daí constatamos que a poltrona da frente era ocupada por uma senhora com cabeção cabelos crespos proeminentes e bolávamos um plano pra otimizar a visão da tela inteira, quando ploft!! 
O pai conseguiu virar um pouco do café com leite nele mesmo (confirmando que meu gene desastrado tem razão de ser). Levantei pra buscar guardanapos, esbarrei nele e mais um pouco de café foi ao chão. E a mãe ainda na fila da pipoca! :|

Nos minutos iniciais passaram trocentos patrocinadores e apoiadores (bem coisa de filme nacional), que foi o tempinho útil pra gente se acomodar evitando o cabeção na frente. Eis que chegam mais três pessoas naquela fileira, alterando a ordem das cabeças, mas no fim ficou por isso mesmo. A senhora de cabelos proeminentes era a profe de natação da mãe. 
E começa o filme em meio às nossas risadas.
A pipoca estava salgada do tipo de arder a boca (dá-lhe tomar água) e minha mãezinha sacudiu o saco pra descer o sal, que acabou escapando pelas frestas da embalagem e caindo sobre a roupa. Genial. :D
O filme que assistimos é uma adaptação da comédia que já levou quase um milhão de espectadores aos teatros pelo Brasil, Minha Mãe é uma Peça – O Filme, acompanha as hilárias peripécias de Dona Hermínia, uma mulher de meia idade, aposentada, que após ser trocada pelo marido por uma mulher mais nova e não ter mais que cuidar dos filhos já crescidos, tem como preocupação maior procurar o que fazer. Sem um trabalho ou um companheiro, a nada simpática Dona Hermínia passa seu tempo desabafando com a tia idosa, fugindo da vizinha fofoqueira, ou “enchendo o saco” dos filhos ao tentar continuar a “cuidar” da vida deles (fonte: site oficial do Paulo Gustavo).

O filme Minha mãe é uma peça revisita valores basilares que fundam uma família: respeito, consideração, tolerância e amor. Ensina o quanto a adolescência pode cegar para o sentido das coisas, desde a figura materna, hábitos alimentares e boas maneiras. Demonstra que a ausência obriga à reflexão e que o perdão é o início do diálogo. 
O legal é que rola uma identificação muito forte, pois todo mundo é filho, e quase todo mundo é - ou será - pai ou mãe!
Fiquei particularmente emocionada (tipo choro manso que não cessa) a partir da cena da caixinha de cartas. 
Chorei de rir e de chorar mesmo. 
É muito humor, é claro, mas é muito amor. <3  

Foi especial demais ver esse filme com meus queridos Cid e Carmen. Mais uma vez, senti que a simplicidade do encontro é o sal da vida. É o sal que dá sabor. 
 
Posso dar um conselho? 
Tire um tempo, dê um jeito e leve seus pais ao cinema!
Um beijo bom,
Camilla.

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