quarta-feira, 10 de julho de 2013

Das pequenas alegrias

Hoje falarei amenidades porque percebi que a última resenha foi de outra pessoa, e também porque do dia 21 de junho para cá alguns leitureiros reclamaram atualização. X)  Shame on me! :P  Sabe como é, né? O mês de junho foi atípico: manifestações e protestos dos quais não participei; dia dos namorados do qual não gozei, digo, não celebrei.. Então aqui estou caetaneando um pouco pra descontrair enquanto mastigo a próxima resenha (publicarei daqui algumas horas...).
Aos que tiram férias no inverno gaúcho: ler, comer e coçar é só começar! 

Encontrei esses dias um moleskine laranja antiguinho e surrado com anotações de 2010. Sempre tive/tenho comigo cadernetinhas de anotação, e cultivo diários criptografados (sim, eu tenho um alfabeto próprio para escrever diários e evitar que agentes secretos invadam minha casa e roubem meus planos de dominar o mundo). 
Anoto coisas porque não confio na minha memória, além de ser um interessante exercício de resgate do passado (que te condena) e de vergonha alheia, digo, vergonha própria, especialmente quando as datas indicam que você já contava 25 anos à época dos escritos. 
Recheado de lista de filmes e livros, citações de amigos pouco sóbrios, dicas de blogs e restaurantes, essa caderneta é um importante laço comigo mesma. Confirma teses de autoconhecimento e direciona certos caminhos que depois, efetivamente, trilhei. 
Do mesmo modo que o hábito não faz o monge e a barba não faz o filósofo, acho justo dar crédito para ideias juvenis que brotam em mesas de bar para explicar a vida e seus desafios. Os autores mais phoda escreveram suas obras em tenra idade.
Analisando meus escritos da infância, adolescência e atuais, identifico certa estabilidade  nas escolhas e preferências, e estas constituem a adulta que me tornei, em tese. (Com 5 anos de idade eu já demonstrava certa inclinação por poesia e café, por exemplo).
'Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho.'  (Neil Gaiman)
No livretinho laranja, tenho apontado ''Coisas que amo''. A par do nome de ex-namorado, todos os demais itens da lista persistem como preferências que salvaguardam minha intimidade e personalidade. Coisa mais querida 'se encontrar', né?! <3
Vou citar apenas algumas, en passant, para dizer sobre as pequenas alegrias que motivam esta que subscreve, de modo a também motivar quem está lendo... 

- Schoenstatt;  - flores do campo;  - música francesa;  - dançar axé;  - pintar unhas;  - montanha-russa (again and again);  - cavalgar e sentir o vento no rosto;  - observar gorilas em família ...

O que te move? O que te comove? “Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas". (Voltaire) :)  Eu atualizo essas perguntas constantemente, pois o autoconhecimento é a primeira etapa da autoeducação. E não teria porquê tanto estudo e trabalho se fosse pra ficar na mesma, certo? Autoeducação é um processo para confirmar ou mudar detalhes pessoais, emocionais e tem por finalidade melhorar nossa vida para formar-nos pessoas fortes, livres e responsáveis. Ocorre que a vida não para pra gente acertar 'as coisas', e o desafio é viver a transformAÇÃO, simultaneamente! #tudoaomesmotempoagora

Falei aqui sobre a arte de fazer listas como tentativa de pseudo controle do tempo. É uma tentativa, né? Já que o danadinho do tempo voa, tipo as folhas de calendário jogadas pelas janelas uruguaias na virada de ano, sinto que escrever desacelera um pouco essa loucura. Concordam?

"A vida é, no mínimo, bem educativa" é um dos bordões de minha autoria, por isso sigo anotando tudo... até mesmo pra verificar se sou feita de coerências ou paradoxos ou granola ou sorvete. E já que estamos constantemente sendo educados, também quero aprender alcançar um ideal de felicidade razoável e factível. Mas daí vem o Ernest Hemingway e diz que “Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço.” É, amigo..
A listinha de 'Coisas que amo' é mutável, but is ok!! 
Mudar de opinião nada mais é do que não ter compromisso com o erro.


Um beijo bom,

Camilla.

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