sexta-feira, 7 de junho de 2013

Do tesouro da minha infância

Fuçar em papelada antiga é descobrir tesouro cujo valor é medido em lágrimas. 
Qual não foi minha surpresa ao encontrar um livrinho amarelado escrito por uma turma de crianças – sim, é uma obra coletiva – da primeira série do ensino fundamental, especificamente a Turma 12, do ano 1989, da Escola Medianeira.
Orientados pela profe Heloísa Morgão, que sugeriu palavras-tema (bola, cenoura ou jacaré), eu e cada coleguinha escrevemos um texto para ´publicação` no encerramento do ano letivo.
Eu tinha 5 anos de idade (entrei precocemente na escola!) e cabelos esvoaçantes. Eis o primeiro texto que escrevi (de que tenho notícia). Não chore (de rir).


 

O JACARÉ E ZICO
 
Aí, será que é um peixe-marinho ou um jacaré?
Tá chegando a mamãe e o pai, solta meu pé.
Eu tenho que ficar lá tomando café.
Eu tenho que sair daqui rapidinho senão meu pai ficará brabo.
Como é bonito este lugar, só que tem um jacaré que é brabo.
                                      Camilla  1a série  turma 12
 
 
 
Nota-se:
a) certa dificuldade de diferenciação entre espécies (só fui ter a disciplina ´ciências` nas séries seguintes);
b) ambientação num lugar aquático, indicando apreço por rios e mares;
c) utilização de rimas simples, identificando uma veia poética;
d) consciência de dever e responsabilidade precoces, por meio da reiterada expressão ´´eu tenho que``;
e) sinal de paladar apurado, uma apreciadora de café
f) obediência e temor reverencial em relação à figura paterna;
g) espírito de contemplação: ´´como é bonito este lugar``.

Enfim, acho que não mudei muito desde 1989.

E a pergunta que não quer calar e que morrerei sem saber a resposta: E Zico ??

Um beijo bom,
Camilla.

Um comentário:

Cleuber Roggia disse...

Permita-me acrescentar a letrinha h): Ó! Desde cedo alto grau de sensibilidade, viu...

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