terça-feira, 21 de maio de 2013

Tráfico de influência #2

A seção ´Tráfico de influência` apresenta essa moça da foto, a gaúcha Carol Bensimon.
Em 2009 ela publicou pela Companhia das Letras o seu primeiro romance Sinuca embaixo d’água, por meio do qual foi finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. E com o livro Pó de Parede foi finalista do prêmio Açoriano de Literatura em 2008.

Não sei ao certo se a conheci por meio do blog da Companhia das Letras ou vice-versa, mas sei que desde então acompanho sua coluna quinzenal.
A carol é gente nossa. E ler gauchês num meio literário ´mais eixo Sampa/Rio` dá um orgulho pátrio! Sinto a mesma coisa com Eliane Brum, Márcia Tiburi e Carpinejar, que alçam vôos de sucesso beeem além dos pampas, continuando a senda de vitórias de colorados e maragatos (e gremistas, porque não?).

A coisa mais concreta que nos separa do restante do país não é o que há na segunda casa depois da vírgula do índice IDH, nem os sobrenomes alemães, nem o frio cortante que entra pelas frestas de nossos apartamentos despreparados. A nossa mais concreta inadequação é que nós falamos “tu”. E com a conjugação errada*. (Depoimento de uma usuária do tu)
A jovem escritora nasceu em 1982, em Porto Alegre, e é reconhecida pela prosa forte e ritmada, segundo entendedores, e ganhou minha atenção pela forma inteligente e leve de abordar assuntos rotineiros, literários e culturais, com muita propriedade, do alto de seus apenas 30 anos. :) Tenho ela como modelo mais próximo de escritora que um dia arriscarei me tornar - mais por sugestão de terceiros do que por vocação, humildade e sonho próprios.

É nesses momentos que fico pensando que talvez a literatura seja a coisa mais transgressora do mundo contemporâneo (já que até o rock se limpou e se coloriu); você pega um livro para ler e essa atitude é um dedo médio levantado para a rapidez de tudo o que acontece à sua volta. Soma-se a isso o fato de que são apenas linhas e linhas de palavras, uma depois da outra. Em um mundo sobrecarregado de imagens, eu diria que sentar na sua poltrona e abrir um romance é algo semelhante a uma experiência psicodélica. (A maior das transgressões).
A percepção da leitura enquanto instrumento agregador é a raiz para a criação literária da Carol, que deixa claro não ser afeta à literatura meramente de entretenimento. Aliás, estou com ela. Acho que livro SÓ É BOM quando cutuca, questiona ou desafia..

Não leio romances que tenham muitos diálogos. Desisti de Neve em um capítulo por causa do narrador intruso e dos muitos pares de adjetivos. Não leio livros para vencer. Não vejo filmes para me distrair. Não gosto de R&B. Se um carro saltar de uma ponte com o intuito de cair do outro lado ileso, eu durmo. (Não gostando com ênfase).
mais um link legal: "O ritual do mate"
É prazeroso acompanhar a Carol Bensimon, que sempre escreve bonitinho a simplicidade da vida. Descreve super bem o perfume de um ambiente, pessoa ou folhagem...  
Tece críticas sobre um ou outro aspecto do nosso dia a dia a dia a dia a dia...
Corrido demais pra gente chegar ao fim.
 
(S/F)im.
 
Um beijo bom, 
Camilla.

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