quinta-feira, 23 de maio de 2013

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, George Orwell

A Revolução dos bichos é o clássico que o Clube de Leitura Companhia de Papel escolheu como leitura de março. Desculpe-me a obviedade, mas a parte mais incrível da LEITURA é justamente tirar uma conclusão da nossa própria cabeça. E essa obra é daquelas que todos já ouviram falar milhões de vezes, desde o colégio (ou leram na disciplina de história), porém vagamente sabem do que se trata.  Como dizia o Professor Luongo, no distante 2001, ´temos que beber da fonte`. A legião de ´´fãs`` de Fernando Pessoa cresce com base em frases soltas de facebook... Whatever! Meu contato com o escritor inglês George Orwell foi a distopia 1984, sua obra-prima, que comprei por ser o ano em que nasci! :P Em resumo, não recordo por que o abandonei no primeiro capítulo, talvez eu fosse ´´muito verde`` pra compreendê-lo (outra clássica expressão daquele profe de sociologia na faculdade de Direito). 
Vamos aos porcos.
Animal farm é uma crítica assumida à ditadura stalinista. Não foi exatamente fácil para Orwell (um social-democrata e membro do Partido Trabalhista Independente) encontrar um editor para publicá-lo em 1945, tamanho o receio de censura e represália, já que nas personagens são facilmente identificadas algumas figuras da Revolução Russa.
É uma fábula que retrata um ideal de maneira exagerada,  focando as falhas com lentes de aumento, praticamente dando nome aos bois (no caso, porcos).
Tudo começa com o velho porco Major reunindo a galera da fazenda para expor um sonho e ideal de liberdade que, depois de sua morte, fomentam a Revolução e se tornam a base do Animalismo. 

"O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido neste ano? E que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram neste ano, e quantos se transformaram em pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens. E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano --nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo o seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia?
´´Animalismo`` é o nome satírico dos mandamentos que os porcos mais letrados (Bola-de-neve e Napoleão) impõem aos animais depois de tomarem posse da fazenda, escorraçando o proprietário Sr. Jones. 
Tudo parece amistoso entre porcos, cães, ovelhas, galinhas, ratos, etc, até que os primeiros induzem os mais sugestionáveis a desejarem supostos 'quereres coletivos', modificando o sonho marxista do porco Major e conduzindo a sociedade formada ao seu bel-'poder'.

Conheça os 7 mandamentos do animalismo:


1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

3. Nenhum animal usará roupas.

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

6. Nenhum animal matará outro animal.


7. Todos os animais são iguais


Alguns membros do clube de leitura Companhia de Papel
Entre grunhidos, relinchos, berros e latidos,  nos divertimos bastante naquele domingo, pois levei máscaras para ´entoarmos em coro` o Hino da Inglaterra e depois tirar fotinhos com os membros do clube de leitura. Entre outras, estas foram algumas das questões que joguei pra debate:
- Inicialmente, o animalismo era um sonho coletivo ou apenas da minoria pensante? ;
- Que outro animal você utilizaria pra protagonizar o livro? ;
- Quais os fatores determinantes da inércia (ausência de questionamento) por parte da maioria dos bichos sempre que havia mudança nos mandamentos? ;
- ''Será que qualquer opinião, por  mais impopular - por mais estúpida, até - que seja, tem o direito de ser difundida?" (prefácio);
- A imprensa brasileira pode ser considerada o porco Garganta? ;
- Existem burros Benjamim na nossa sociedade? Se existem, quem são eles? ;
- Esta obra é recomendável para crianças, ainda que não alcancem a analogia crítica proposta? ;
- Quem são os ratos na vida real? ;
- Na sua opinião, a cena final do banquete representa a equivalência moral entre capitalismo e comunismo? 

A revolução dos bichos é uma divertida aula de história que VALE MUITO A PENA incluir na lista de leitura! Lá na Athena Livraria - onde o clube se encontra - tem o livro em estoque!

Um beijo bom,
Camilla.

5 comentários:

Anônimo disse...

Interessante! Em todos os tempos o comportamento humano nao muda, é uma questao de caráter dos indivíduos. Cabe à sociedade buscar na história para ver que nada mudou, embora a filosofia tenha procurado mudar.
Excelente análise da Camilla.
Cid

Anônimo disse...

Putz, Camilla, perdi essa!!
Esse é um dos meus livros favoritos :) ...
Muito bons os questionamentos propostos (especialmente o último).
Legal, parabéns mais uma vez pela iniciativa.
Abraço
Diego
diegohahn@hotmail.com

brunaabora disse...

Baixar o Filme - A Revolução dos Bichos - Dublado - É mais um daqueles filmes necessários e imprescindíveis. Baseado no clássico de George Orwell - http://mcaf.ee/dxklc

Isa Vichi disse...

Oi Camila! Adorei! Vc fez uma coisa que nunca consegui fazer: uma resenha de Revolução dos Bichos. Eu amo tanto esse livro, tenho uma admiração tão profunda por ele, que nunca me atrevi a fazer uma resenha! Sempre acho que se eu falar sobre ele, nunca estaria à altura do que ele merece! Sem contar que o meu exemplar tem um valor sentimental muito grande pra mim, pois era do meu saudoso irmão! Parabéns pela resenha! Segredo: tenho tanta inveja desse grupo de leitura de vcs rsrs Bjão da Isa - LidoLendo!

Camilla Caetano disse...

Isa!! Por vezes também sinto a sensação de ´não me atrever a resenhar` um livro, especialmente os clássicos! Mas já que vesti a camiseta, vamos lá!

Estou sofrendo disso com relação ao A METAMORFOSE, do Kafka.

Sobre o clube de leitura: transforma a ´invejinha` em um clube de leitura aí tambéeeeem!! hehehhe Te ajudo se precisar!! É uma das minhas maiores alegrias!! Bjão, querida!

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