terça-feira, 23 de abril de 2013

Da verdadeira face da palavra Facebook

Ressalvadas as utilidades comerciais; divertidas; culturais; informativas, o Facebook é um fenômeno individual antes de ser um fenômeno social. 

Ouço vozes preto e branco a dizer ´´todo mundo é feliz no Facebook``, talvez porque em geral postam sorrisos a lágrimas; Punta a Boca do monte; pele com base Mac a cicatrizes; Trident a hálito fresco matinal; Dudalina a Malwee, e por aí vai.

É legítimo mostrar a sombra divertida e cor-de-rosa dos retratos, até porque não conheço pessoas normais que fotografem unha encravada, desaprovação em concurso público ou velório. E pra não dizer que não falei dos espinhos, o tempo todo há atualizações de status com mensagens de tristeza, desilusão, solidão e fracasso travestidas de frases edificantes e citações de autoria duvidosa: Fernando Pessoa são pedidos de atenção e cuidado; Marta Medeiros são carimbos de mulher forte e Chapolin, coitado, são tapas na orelha, desculpinha pra obesidade ou reclamação de TCC.

O facebook é mais vitrine de desassossego, aceitação ou entretenimento gratuito e menos um desfile de glórias e alegrias contínuas como as vozes preto e branco afirmam. 
Veja bem, são raros os casos de estudantes faceiros ao soar o despertador quando percebem que chove e seu ônibus lotado vai passar dali em 5 minutos. Em contrapartida, já ´aplaudi` alegres motoristas cantores sertanejos no trânsito da Av. Medianeira às 18:54 em dia de chuva. É relativo.
A felicidade e a tristeza são quindins, um mais lustroso de glicose e outro mais opaco e esponjoso. Ambos são gostosos, depende da confeitaria, né?

Não concordo com o discurso de que ´´todo mundo é feliz no Facebook`` porque ele sugere um suposto engodo protegido pela tela azulada. A felicidade é um conceito tão sazonal quanto os trocentos links que acessamos diariamente, e não é a rede social que colabora na sua manutenção!

Outra coisa. Se o mote da vida em sociedade é ajudarem-se uns aos outros para transformar o mundo, é natural as pessoas buscarem ser aceitas para cumprir sua missão mais facilmente em grupos. Como é natural, também, mostrar-se virtualmente mais legal/descolado/________ (insira aqui algum adjetivo sensualizante). 
Na maioria dos casos os sentidos confirmam isso na vida real.

Falando em aceitação, há muitos anos éramos pequenas pessoas mostradoras de gengivas quando bochechas subiam e apertavam os olhinhos e tudo isso era extremamente sedutor. Minha vocação materna anti-choro e anti-galinha pintadinha nota que o desejo de atenção e inserção social é tão inerente que o bebê seduz para conquistar um intento e os pais SEMPRE se rendem ao reizinho.
Para a alegria dos dentistas todos rendemo-nos a bocas com dentes saudáveis à mostra, muito embora nem sempre signifiquem felicidade suprema. Lágrima também padece dessa dualidade. Tudo é símbolo, né?! :)

A internet é um mar de simbologias e me conforta saber que pessoas dão crédito a qualquer texto que inicie com ´´ouço vozes`` e termine com conclusões não conclusivas de alguém insone ... :o) 

Da opinião do ego (como achamos que nos veem) até a opinião difusa (como realmente nos veem) há muros construídos sobre falhas de comunicação visual, sonora e escrita e pixados com impressões/achismos/preconceitos de latas vazias de tinta de um grafiteiro cego.
A rede social é horizonte infinito deturpador de sentidos, tanto que uma palavra ou oração mal virgulada gera inúmeras sentenças quanto cabeças online. 
´´Todos são amados no facebook`` é outra hipótese absoluta que, além de impraticável, ironiza a galera emocional e socialmente inserida. Adoro repetir: o sentimento de pertencimento a um nicho/grupo/tribo/vibe/esporte (re)dignifica o eu, constrói o ser pensante e invariavelmente causa manifestações de apreço. O aplauso não pode ser mais que um estímulo; mais que isso, ensurdece.

Perfis demonstram a suposição do seu melhor. 
Eu acredito em perfis e fotos felizes de facebook. 
Eu acredito num mundo (virtual e real) melhor. :D

Dizem que não há medo ou derrota em rede social. É claro que tem! 
Talvez não explícitos, mas ´sutilmente` expostos em citações de Érico Veríssimo, textos do Arnaldo Jabor ou indiretas jeb/direto. 

Um beijo bom,
Camilla.                                p.s.: aproveite o tema e curta a página do blog lá no facebook! ;)

Um comentário:

Cleuber Roggia disse...

Dez letras, em quatro sílabas: fascinante!

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