terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CORALINE, Neil Gaiman

Muita gente foi ler Coraline após assistir ao filme adaptado para o cinema numa animação em stop-motion, mas não foi o meu caso. Aliás, estou pendente com essa tarefa (será?): ver o filme e contar minha impressão num update.
A família muda para um apartamento de segundo piso que integra uma casa antiga (no pavimento de baixo moram duas senhoras ex-atrizes e no pavimento superior, um velhinho adestrador de ratos). A menina, carente da atenção dos pais envolvidos no computador e trabalho, passa seu tempo  ´explorando` a casa, o pátio, os vizinhos...
Uma das portas da sala de visitas é bloqueada com tijolos, mas quando Coraline destranca a porta surge um corredor escuro por onde segue para ´´explorar``. Nesse mundo paralelo, Coraline conhece o ''outro pai'' e a ''outra mãe'', que apesar de assustadores oferecem comidas deliciosas e concedem seus desejos. Numa atmosfera de poeira, umidade e mofo, Coraline conversa com cão, gato e ratos, enquanto é tentada a ficar ali pra sempre, desde que deixasse a outra mãe costurar botões nos seus olhos! É tudo macabro e surreal! :P
Você realmente não entende, não é? – disse – Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menor sentido. E daí?

Com a vibe de Alice no País das Maravilhas e Crônicas de Nárnia, essa obra do Neil Gaiman é uma viagem completa com uma lógica (oi?) lunática e sombria em que se constitui um novo mundo a partir da idéia original de mundo concebida. Além de rolar aquele clássico bem versus mal, Gaiman desconstrói elementos do dia-a-dia a partir da ótica da criança corajosa para enfrentar o desconhecido.
Imagino que Neil Gaiman usou substâncias psicotrópicas pra parir essa história perturbadora enquanto gênero infanto-juvenil, mas que não deixa de ser legal afinal literatura não se explica... Ora sentia medinho (juro!), ora me perguntava WTF? WTH? Os olhos de botões grandes, negros e brilhantes e as mãos com dedos demasiados longos e unhas vermelho-escuras curvadas e afiadas são terror puro, minha gente!

Se depender de mim meus filhos serão leitores de cabeça aberta a todos os gêneros e conhecerão Neil Gaiman, mesmo que após a leitura de Coraline venham aninhar-se na minha cama por causa de pesadelos.

Observe um trecho da orelha: 
´(...) Escritor conhecido e premiado, Neil Gaiman cria em Coraline uma rival contemporânea para a Alice de Lewis Carroll. Usando com habilidade elementos consagrados do gótico e do terror, ele constrói uma atmosfera surpreendente, em que a tensão nasce da delicada combinação de filosofia, psicologia, deliciosas citações de Charles Addams, Edgar Allan Poe e O bebê de Rosemary, e uma simplicidade poética invulgar. Aqui as palavras são cristalinas, mas seu efeito é devastador.(...)´
Durante as 160 páginas de fantasia, a leitora aqui (como não poderia deixar de ser) foi tentando desvendar as metáforas pelo caminho e adultalizando a história pra extrair uma mensagem séria. Eu ficava supondo isso ou aquilo sobre psicologia infantil, visão da criança frente aos pais, ao espaço e sua importância no mundo, etc.. Aff! Por que essa mania de querer achar sentido em tudo?
Pois é, nem todas as histórias fantásticas querem ser mais que simples histórias fantásticas... Vai saber!?
Ainda assim, tal como a porta de Coraline, quando se abre um livro se é uma pessoa e ao fechá-lo, outra.
Um beijo bom
Camilla.

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