segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O RETRATO DE DORIAN GRAY, Oscar Wilde


No início de dezembro, convidei amigos para formar um clube de leitura, indicando uma obra e um prazo razoável que ficasse bom pra todo mundo, já que pegava época de festas de fim de ano e tal.. [sempre curti a ideia, especialmente por conta do filme O clube de leitura de Jane Austen, então uni a fome com a vontade de comer]. 

Rolou até 'entrevista pro jornal local' (#aFaceira) que além de difundir o bom hábito da leitura no Coração do Rio Grande (a.k.a. Cidade Cultura) também nutriu o orgulho dos meus pais corujas! hehe :D 

por Juliana Gelatti
No dia 13 de janeiro, uma noite quente de domingo, aconteceu o encontro inaugural do CLUBE DE LEITURA COMPANHIA DE PAPEL com o livro O retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde. Por meio do Facebook marcamos o encontro no Croasonho, uma franquia de lanches aqui do sul, cujo ambiente agradável e tranquilo nos cercou do clima perfeito para as ideias fluírem... Foi deveras produtivo, além de um divertimento cultural e amistoso entre pessoas que, até então, eram desconhecidas entre si.



Em geral, quem curte literatura sabe que Oscar Wilde foi um dos maiores expoentes da literatura inglesa, cujo estilo de vida polêmico e hedonista ficaria eternizado nos seus escritos. E assim foi com The Picture of Dorian Gray, leitura de dezembro/janeiro de empresário, funcionárias públicas, publicitário, advogada, jornalista, dentista e terapeuta ocupacional que formam, hoje, esse inteligente grupo que avalizou um projeto simples e motivador.

Antes das apresentações de praxe, convidei três do grupo a se dirigirem, um por um, até uma ´obra de arte` coberta com um tecido que eu acomodara num canto. Pedi que observassem defeitos naquela obra de arte. Depois, perguntei a eles se poderiam apontar os defeitos que cada um dos outros tinha visto. Com a resposta negativa, revelei ao grupo que se tratava de um espelho... 
Ninguém pode apontar ou observar defeitos do outro a partir da análise superficial da sua imagem, porque as marcas de falhas e pecados pertencem a cada um, constituem sua alma e, além de perceptível pelo próprio sujeito, somente o convívio somado a uma análise mais acurada permitiriam a revelação para terceiros.   

Essa reflexão remete ao conteúdo do nosso livro de janeiro. Todos hão de convir que uma obra de tal calibre fica ainda mais memorável quando o debate desborda do eu e abrem-se as inquietações ao coletivo. Ao final do encontro cheguei a ouvir um ''superou as expectativas'', celebrando a alegria da troca de opiniões! Yeap!

Numa rápida sinopse, Dorian Gray é um jovem da aristocracia inglesa que ao ver o retrato enaltecendo sua beleza e juventude pelos olhos do pintor Basil deseja fortemente manter o frescor da juventude e sua alma fica impregnada no retrato. Com influências do hedonista Lorde Henry, amigo de Basil, Dorian absorve princípios supérfluos, fúteis e pratica atos irresponsáveis. Acontecimentos chocantes e um desfecho dramático rendem uma gostosa leitura seguida de reflexões sobre o bem e o mal, a vaidade, a influência, os prazeres e pecados versus a suposta decência da sociedade politicamente correta etc..

Durante duas horas a conversa no Clube de Leitura foi diversificada, dado a questionamentos que propus dentro de uma caixinha: falou-se das expectativas correspondidas ou não, das decepções e surpresas da trama, da consciência e intenção dos personagens... Debateu-se o papel de Lorde Henry influenciando as maneiras hedonistas de Dorian, o arrependimento (ou não) dos seus atos, a fragilidade (ou encorajamento) ao observar no retrato suas mazelas de caráter expostas, motivo pelo qual o escondia no sótão... Dentre outras proposições: Importa mais o que as personagens falam ou que elas fazem? Os espaços/ambientes abertos/fechados influem nas personagens?
Também se ponderou se a questão da homossexualidade sugerida tinha algum impacto na mensagem moral da história. Além disso, as ´opiniões-bomba` de Lorde Henry acerca da mulher, do casamento e da Igreja foram destaque da noite, inclusive com a leitura de excertos do livro - devidamente portado por cada membro do grupo, com marcações e post-its. :D


Acho que me estendi bastante, mas estamos - falo pelo grupo - satisfeitos com o resultado. 
O retrato de Dorian Gray é um clássico que precisa ser lido e pensado, cujo conteúdo é altamente aplicável na sociedade atual!

E o Clube de Leitura Companhia de Papel seguirá seus encontros mensais com diversidade literária, amizades e diversão! :)

Um beijo bom,
Camilla.

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