quinta-feira, 3 de maio de 2012

FLASH BACK. Mês de fevereiro de 2011: O VELHO E O MAR, Ernest Hemingway


Play na música Chan Chan, do Buena Vista Social Club, e veeem comigo!!

Em fevereiro de 2011 fui passar uma semana em Maceió com as minhas amigonas Larissa, Aline e Natália e levei na mala O velho e o mar, do Ernest Hemingway. O tema tinha tudo a ver com praia, além do mais eu tinha uma viagem programada para Cuba e de antemão sabia que foi enquanto morou em Havana (ficou 22 anos no país) que Ernest escreveu esse livro (e bebia mojitos na La Bodeguita del medio)!!
Observação turística: Em Habana Vieja.. no apartamento do quinto andar do Hotel Ambos Mundos (´´foi um bom lugar para trabalhar``) é possível fazer visitação e encontrar tudo como ele deixou quando ali se hospedou. Já a casa-museu situada em San Francisco de Paula (arredores da capital) não vale a pena, porque só permitem visitação externa espiando pelas janelas! :/



Sou mega fã da vida e obra do americano Ernest Hemingway (nobel de literatura em 1954), escritor e jornalista que desde jovem permeou seu caminho nas guerras: na 1a GM foi motorista de ambulância da Cruz Vermelha na Itália, por exemplo, e em 37 cobriu a Guerra civil espanhola. Grandes escritores tiveram suas biografias relacionadas à guerra.

Como quase todo artista-poeta-escritor, Ernest teve vários amores, dentre eles 4 mulheres e muitos  lugares - morou na Espanha (Madrid), Canadá, EUA (Key West), em Cuba (Havana)...! Cada livro teve a influência da mulher atual e do ambiente onde estava, por isso lê-lo é como viajar bem acompanhada!!

Na qualidade de ex-correspondente de guerra seu texto é muuuuito realista e descritivo. Quase cansativo (tipo meus posts extensos)! Então, é bom ter paciência porque ele é capaz de ficar 10 páginas descrevendo um aceno! #exageradaPara ter uma ideia, o Por quem os sinos dobram (aka. leitura de outubro 2011) são 624 páginas para um relato de 4 dias na Guerra civil espanhola!).

O Mar é uma entidade para Hemingway, como a Cordilheira é para os chilenos! ;D 
Sua inesgotável fonte de prazer e inspiração ganha destaque nessa que é considerada sua obra-prima: O Velho e o Mar.  Foi publicado em 1952, com o qual ganhou o prêmio Pulitzer em 1953.
Pablo Neruda (nobel 1971) também tem toda essa vibe de homem do mar, tanto que suas casas retratam fielmente o interior de barcos!! Fora o romantismo do Neruda, acho os dois parecidos! Para constar, salvo engano, na biblioteca da La Chascona (sua casa em Santiago do Chile) tem uma fotinho de um encontro de Hemingway (amigão do Fidel) com Neruda (comunista).  :)

Bom, na sinopse do livro já percebemos sinais da confiança e persistência do velho Santiago: Esta é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

Esse seria o pescador em quem Ernest se inspirou para criar a personagem Santiago (hall do Hotel Ambos Mundos)..





Durante todo o processo da pesca, em meio a reflexões e devaneios, Santiago, com astúcia, enfrenta o mar, a força do peixe-espada que também luta pela sobrevivência, as feridas nas mãos por causa da corda e ainda os tubarões que ficam diminuindo a carne da sua caça (dá uma raiva dos tubarões!!). Se é que tem, a parte monótona fica por conta do peixe rebocando o barco durante vários dias e o velho refletindo loucamente sobre a dignidade humana e dos animais...

Hemingway tem um estilo próprio de jornalista, daí a sua prosa diretaça
Num discurso sem rodeios ele alcança uma objetividade envolvente e, como o peixe, nos fisga! Muito mais que uma singela história sobre a força da natureza contra o homem, O velho e o mar é uma mensagem de superação. De se agarrar aos sonhos sem pestanejar e nunca desistir. É um texto simples, mas contundente. Intenso do início ao fim. Em 128 páginas a gente imerge (perdoem o trocadilho, não resisti!) nos pensamentos do Santiago, revendo conceitos de tempo, meta e determinação, para depois emergir boquiabertos...
Será que o peixe é metáfora do próprio Tempo, senhor da razão, que com força nos leva e desafia? Sei lá, cada pessoa a depender do seu estado de vida e experiências perceberá uma lição diferente...

Marli Savelli de Campos fez uma análise interessante da obra:   
(...) O título “O velho e o Mar” remete-nos a idéia de que a vida está passando. O velho já atravessou por todas as fases da vida, e o mar representa essa travessia que proporcionou a ele grandes experiências vividas, às vezes o mar é bom, outras vezes é ruim, temos que aprender a conviver com o bem e com o mal (...).

O livro diz na sua cara que na vida é impossível sempre estar em uma posição de vantagem: ora se perde, ora se ganha; ora é peixe, ora é pescador!  
É isso! Tal como O Pequeno Príncipe, a cada década devemos reler O velho e o mar porque certamente teremos novas impressões!

(É um ótimo presente para aquele amigo(a) que adora pescar, né??)

Um bejio bom,
Camilla.

3 comentários:

Nat King Cole disse...

Hemingway era um irremediável mulherengo, sofreu depois que adoeceu e teve um fim de vida triste e trágico......mas o que me chamou atenção neste livro é a ausência da figura feminina (talvez personificada pela Natureza em si), e a constatação do Velho que via no peixe uma dignidade que, talvez, ele não desfrutava mais!

Camilla Caetano disse...

Oi!
Bem pensado. Considerando a vida de um pescador É quase sempre solitária mesmo, nem senti falta da figura feminina. No entanto, já vi comentários sobre essa ótica de que a natureza (Céu, oceano) fosse a representação da mulher. :)
Volte sempre, e deixe teus comentários!!

Lucas Scherer disse...

Certamente uma ótima indicação aos amantes da pesca. Entenderão melhor aqueles que sabem conviver tanto com a alegria da pesca farta quanto com a frustração dos dias de pouco peixe. Mas sem dúvida, muito além da simples relação com a pesca, o livro é uma lição de vida a ser entendida e assimilada. Apresenta através da figura de um simples pescador, dois mundos totalmente diferentes e totalmente relacionados. Um totalmente pobre e livre de ambições, força, expectativas,.... que chega a dar pena do velho. E outro riquíssimo de valores, sonhos, perspicácia, que chega a dar vergonha de nós mesmos. E no final os tubarões.... ahh concordo... dá uma raiva dos tubarões!!! Valeu pela indicação ;)

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