segunda-feira, 30 de abril de 2012

O DIÁRIO DE ANNE FRANK

Hoje é 30 de abril de 2012.
Em 30 de abril de 1945 foi o dia em que "suicidaram o Hitler".
(...)

Escolhi O Diário de Anne Frank para fazer companhia durante minhas férias em março: uma porque ele estava me esperando havia algum tempo, duas porque seu tamanho 12cm x 18cm é super prático para levar na mochila, e três porque são 378 páginas relacionadas à Segunda Guerra Mundial, tema pelo qual tenho especial apreço!

Uma adolescente de 13 anos escreve um diário entre 12 de junho de 1942 e 1o de agosto de 1944, enquanto vive (sobrevive!) num esconderijo em Amsterdã, porque ela e sua família são judeus e temem a ocupação nazista nos Países Baixos!

Ela personifica o diário, chamando-o de Kitty, como se conversasse com uma amiga!! E com essa pegada dá um ar de intimidade na mensagem, necessário para contar todos os detalhes do sofrimento. Sofrimento tanto da situação de escondida por ser judia, quanto de seu desabrochar menina-mulher. Anne teria um brilhante futuro pela frente, não fosse ter sido capturada (junto com os demais) e levada ao campo de concentração de Auschwitz, e depois para Bergen-Belsen, campo de concentração perto de Hannover (Alemanha), onde veio a morrer de tifo.

Foram dois anos de tensão, superação e otimismo.
Os moradores do Anexo foram Anne, seus pais (banqueiro e dona de casa) e a irmã Margot – todos alemães, que no verão de 1933 foram morar na Holanda –, além de Hermann e Auguste van Pels, seu filho Peter e Fritz Pfeffer. Vivem no chamado “Anexo Secreto” (sótão do escritório de Otto Frank – pai da Anne), e logo no início do livro tem até planta baixa para gente compreender onde cada um dorme, toma banho e come! Eu marquei a página para toda hora voltar e dar uma espiadinha.
São 8 seres humanos que se tornaram verdadeiros RATOS escondidos dos tresloucados nazistas que impuseram tensão e horror a milhões de famílias desde a Alemanha até nossos confins. O Nazismo – prescinde explicação – foi mau, fez mal, motivou violência, deixou rastros profundos na nossa sociedade e é rememorado constantemente em filmes e escritos, para servir de exemplo negativo.
A perspectiva da Anne pouco revela as questões políticas do período da guerra – só em algumas passagens, porque os ajudantes levavam notícia e mantimentos – cúmplices que tornaram possível sua permanência por longos dois anos sem serem descobertos. 
Anne Frank dá lição de vida com bom humor e ousadia, descrevendo como faziam a divisão da comida, o revezamento no banheiro, o recolhimento dos dejetos (!), o silêncio mórbido que tinham que fazer, sob pena de alguém do escritório os descobrir, e os dilemas da convivência!!
Ela humoriza situações subumanas e traz à baila as pequenezas que nos irritam ou causam sofrimento, e que dentro do contexto deles foi fundamental para evitar de – metaforicamente – se matarem!
O diário original é escrito na língua neerlandês (Het Achterhuis - Dagboekbrieven 14 juni 1942 - 1 augustus 1944) e o texto foi preservado basicamente como ela escreveu, porque qualquer tentativa de alterá-lo e torná-lo mais claro seria inadequada em um documento histórico (lembrando que a autenticidade do diário fora questionada desde a sua primeira publicação, mas isso se resolveu depois!).

O diário de Anne Frank foi traduzido para 67 línguas e é um dos livros mais lidos no mundo!
(...) Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento (contracapa).
Por meio do Google encontrei o interessante Anne Frank Guide, com especificidades dos moradores, do alojamento, das circunstâncias da guerra numa linha do tempo. Para quem se interessar é uma boa fonte de pesquisa! :)

A Anne é um mito e representa um eito de pessoas que tiveram suas vidas interrompidas em nome de  ....... quê?! Nada justifica o holocausto, mas não se pode deletar a história.
Apesar dos dilemas próprios da adolescência, e com o turbilhão de conviver com manias e vaidades dos demais (em especial a chata Sra. van Dann), revela maturidade: 
(...)Para ser franca, não consigo imaginar como alguém poderia dizer "Eu sou fraco" e continuar assim. Se você sabe isso ao seu respeito, por que não luta contra, por que não desenvolve o caráter? (...) Tenho uma característica notável que pode ser óbvia para qualquer pessoa que conviva comigo há algum tempo: eu me conheço bastante. Em tudo o que faço, posso me ver como se fosse uma estranha. Posso me afastar da Anne de todos os dias e, sem preconceitos ou sem me desculpar, ver o que ela está fazendo, tanto as coisas boas quanto as ruins. Essa autoconsciência nunca me abandona, (...) Eu me condeno de tantas maneiras que estou começando a perceber a verdade no ditado de papai: “Todo filho tem de se criar”. Os pais só podem aconselhar os filhos ou apontar a direção certa. Em última análise, a própria pessoa forma seu caráter. Além disso, enfrento a vida com uma reserva extraordinária de coragem. Sinto-me forte e capaz de suportar fardos, jovem e livre! Quando percebi isso pela primeira vez, fiquei satisfeita, porque significa que posso enfrentar com mais facilidade os golpes da vida.
Está vendo como a guria é faca na bota?
Por Deus, eu até escrevia poesias com 13 anos, mas não me lembro de fazer raciocínios inteligentes e perspicazes como ela fez! Está certíssimo quem diz que a dor ensina a gemer!

Dentre tantas passagens, gostei em especial dessa: Quem é religioso deve se alegrar, porque nem todo mundo é abençoado com a capacidade de acreditar numa ordem superior. Você não precisa viver no medo da punição eterna; os conceitos de purgatório, céu e inferno são difíceis para muita gente, mas a própria religião, qualquer uma, mantém a pessoa no caminho certo. Não o temor a Deus, mas a manutenção de nosso sentimento de honra e de obedecer à própria consciência. As pessoas seriam muito mais nobres e melhores se, no fim de cada dia, pudessem rever o próprio comportamento e pesar o que fizeram de bom e de mau. (Exame de consciência! Alô José Engling!) Automaticamente tentariam melhorar a cada manhã e, depois de algum tempo, com certeza realizariam muita coisa. Todo mundo pode seguir essa receita: não custa nada e é utilíssima. Os que não sabem terão de descobrir por experiência própria que “uma consciência tranquila dá força às pessoas”.
Eu tenho a edição definitiva por Otto H. Frank e Mirjam Pressler, segue fotinho da capa:


Update!! A casa onde Anne Frank ficou escondida e escreveu o famoso diário durante a ocupação nazista na Holanda é hoje um museu! Para quem tiver viagem marcada pra Amsterdã, é imperdível!!
Casa de Anne Frank: Prinsengracht 263-267. Funciona diariamente, das 9h às 21h, de março a setembro. Julho e agosto, o museu permanece aberto até as 22h. De setembro a março, fecha às 19h. Preço: 8,50 euros

Um beijo bom,
Camilla.

6 comentários:

Unknown disse...

Adorei moça! Muito bom, eu li esse livro mas faz tanto tempo que nem me lembrava mais de certos detalhes! Deu vontade de ler novamente!

Gabrielle disse...

Fui eu ali em cima! =]

fredericodaluz disse...

Oi Camilla, sou amigo do Eduardo Gehrke, ele me indicou teu blog.
Curti muito a proposta. Esse comentário que postaste me arrepiou do começo ao fim. Muito bom, vou ter que ler o livro com certeza, na verdade já tinha escutado falar sobre ele, mas nunca tive a oportunidade e vontade de encará-lo digamos assim.
Tenho um Blog http://fredericodaluz.wordpress.com/
Onde postos reflexões focados em coisas do cotidiano, sentimentos, sensações, enfim...
Se tiveres curiosidade passa lá.

Beijo e parabéns pelo Blog
obs: Posso compartilhar teu blog no meu? Tenho uma relação dos blogs d sigo, o qteu vai ser um deles ;)

Camilla disse...

Oie Frederico!! Obrigada pelo comentário! Agora somos amigos no face, vamos nos falando naquele grupo Boemia!!

abc!

Nat King Cole disse...

Excelente olhar sobre a obra! Valeu pela dica! alguns trechos que tu narraste acima, me lembrou do dilacerante CARTAS AO PAI, de Franz Kafka! bjs

Bruna disse...

Olá Camila, eu li esse livro quando tinha 13 anos, a mesma idade de Anne, o que acabou marcando muito a minha adolescência! Depois de um tempo li o O outro lado do Diário, de Miep Gies, uma das pessoas que ajudaram a esconder as famílias no anexo. É bem legal para entender o cotidiano naqueles dias. Ambos tenho que reler!

Está ótimo o blog! bjaoo

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