quinta-feira, 26 de abril de 2012

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, Emily Brontë

O único romance escrito pela britânica Emily Brontë, lançado em 1847, tornou-se um clássico da literatura mundial. E eu cheguei a este título justamente pela fama de clássico
(porque normalmente não compraria um romance!).
Wuthering Heights é, na maior parte do tempo, uma narração que a governanta Ellen Dean faz a Lockwood (locatário da propriedade ´´Granja da Cruz dos Tordos``, localizada em Gimmerton no interior da Inglaterra) contando a história da família que ali viveu.
Como ela foi testemunha ocular de todos os acontecimentos (by Wiki), está a par de tudo e todos, e descreve detalhes da personalidade de cada envolvido na trama: uma sequência de fatos de 1757 a 1803.
Só quando terminei tive a brilhante ideia de fazer uma árvore genealógica da família, por isso sugiro que o leitor interessado faça isso desde o início, no decorrer dos capítulos, sob pena de, sempre que retornar à cia. do livro, voltar algumas páginas para pegar o fio da meada.
´´Seeenta, que lá vem a história´´: Earnshaw faz uma viagem e adota um órfão chamado Heathcliff. O filho legítimo Hindley fica enciumado da afeição do pai pelo menino, já a filha Catherine se afeiçoa por ele. Quando Earnshaw morre, Hindley humilha Heathcliff. E, apesar do amor entre este e Catherine, ela casa com Edgar Linton – um moço que daria mais condições para ela viver. Heathcliff vai embora e anos depois retorna rico, chamando atenção de Catherine. Ela tem uma filha de Edgar e morre na sequência.
Ufa, está acompanhando?? Continuando: Heathcliff tem desejo de vingança contra Edgar e Hindley, então se casa com Isabella (irmã de Edgar), que vem a abandoná-lo e deixa um filho de nome Linton. Hindley ´´se joga no jogo`` e bebida e perde seus bens para Linton. Hareton (filho de Hindley) fica sem herança. Aí, antes de Edgar morrer, Heathcliff casa Linton com Cathy (filha de Catherine e Edgar). Ocorre que quando Linton morre, Cathy se vê desamparada e sem bens, porque Heathcliff apresenta um testamento em que o filho passara tudo para ele. Por fim, Heathcliff morre na loucura e solidão, e como último desejo é enterrado ao lado de Catherine.
Então é isso.. o amor (?) é consolidado e ´´vivido`` apenas na eternidade. Suspiros! #ironia.
Enfim, acredito que não fiz spoiler, porque quando você for ler já vai ter esquecido toda essa confusão, né?

Ao ler O Morro dos ventos uivantes tinha a apreensão de que em seguida ia ler a felicidade dos personagens, mas isso não acontece já que é um texto que pouco fala de amor!
Amor de verdade é cuidado, tolerância, admiração, e tudo o mais de lindo e rosa que, apesar dos percalços, se sustenta porque tem um propósito maior. E o que sentia na trama era uma paixão devastadora, que resistiu ao tempo, mas permeada de muito rancor e ódio.
Sinceramente, esse paradoxo me fez questionar o porquê do senso comum elevar esse livro a um clássico dentre os romances...
Aí fui atrás:
Associamos romance ao Romantismo (movimento artístico, político e filosófico..). E quando a gente vai na seção Romance de uma livraria esperamos ver ali só belas histórias de amor. Natural, né?
Acontece que o termo romance, no sentido moderno, quer dizer ´´uma composição em prosa`` (Inclusive, o Realismo (!) teria no romance sua base fundamental, pois apenas este permitia a minúcia descritiva, que exporia os problemas sociais). Portanto, aí está o pulo do gato e a justificativa que eu queria para dizer que aos meus olhos a história de ´´amor`` entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino, não passa de uma história de obsessão e loucura por possuir o outro, mas que está no gênero literário romance.
Pois bem, paro aqui porque sequer tenho formação para debater categoria, gêneros ou escolas da literatura.

Quanto a história em si, é cheia de idas e vindas, desejo, ódio, traição e vingança. O coraçãozinho véio até aperta por pensar que o ser humano é capaz de tudo, ainda que o movel seja vazio e sem sentido.
Acho que vale, sim, a leitura, por se tratar de um livro histórico e muito aplaudido, que teve mil adaptações, virou filme, série, ópera, musical, além de novelas (inclusive brasileira). Além do mais, é muito envolvente e com forte conteúdo nas entrelinhas.
Segue o link do livro em pdf:

O Morro dos ventos uivantes

* Já tinha encerrado o post, mas me ocorreu de trazer pontos de vista de experts.
Desculpem pelo post gigante!
Então, para quem quiser aprofundar, apresento links de 3 críticas literárias do livro:

Daíse Lílian Fonseca Dias, estudiosa da UFCG, é autora de um artigo intitulado ´´O erro trágico de Cathy em O Morro dos ventos uivantes``. O texto é ótimo, com uma análise histórica do gênero em que o livro se insere, bem como dos seus reflexos na sociedade da época. Aborda a tragédia x trágico, e pontua, por exemplo: (...) Brontë parece denunciar que a sociedade inglesa e imperialista é responsável pela transformação de Heathcliff em um homem amargo, infeliz, vingativo. Ele representa o terror do inglês sobre o que poderia acontecer se um homem que foi considerado e tratado como inferior à própria raça humana tivesse o poder de ação, porque o resultado seria a vingança e a destruição insensata dos antigos opressores. Durante muito tempo de sua vida, Heathcliff só conheceu aspiração e derrota de várias naturezas, tensão entre seus próprios impulsos e a resistência absoluta do mundo que o cercava. Apenas em Cathy ele encontrou identificação, compreensão, união, companheirismo, um lar, amor, mas a sociedade foi inimiga do seu ideal, condenando-o à impossibilidade de encontrar um ambiente acolhedor, à errância, e à dissolução do eu com a perda de Cathy; sua única culpa é ser ele mesmo (...). Artigo inteiro da Lilian Fonseca Dias

No site shvoong.com ( Boa crítica! )
(...)A obra conta com personagens fortes, bem estruturadas e com presença marcante, cujas emoções e sentimentos são colocados em primeiro plano. Mostra o amor e a obsessão em suas formas mais cruas, sem qualquer alegoria, e põe em evidência o egoísmo humano, onde as vontades, desejos e crenças se chocam numa luta constante. Estas são características que mostram o distanciamento da autora ao estilo da época, a tradição vitoriana, e as possíveis influências de Emily Brontë, como a poesia e o romance góticos de vários autores da época, como exemplo o clássico Frankstein, de Mary Shelley (...) 

Marcos Cassiano opina (Vale a pena ler tudo hihi):
(...) “O Morro dos Ventos Uivantes” foi tido como maldito quando do seu lançamento, com severas críticas à autora, que se escondia sob um pseudônimo masculino. Para muitos críticos era impossível uma história tão densa ter saído da mente de uma mulher, vista por alguns como se tivesse um demônio dentro de si para criar tão amoral personagem. Ao contrário de “Jane Eyre” e “Agnes Grey”, romances de Charlotte Brontë e Anne Brontë respectivamente, irmãs da autora, que se tornaram sucesso de critica e leitores, “O Morro dos Ventos Uivantes” sofreu com a rejeição dos leitores ingleses, que não sabiam onde situar a obra, com sua trama complexa transitando entre um romantismo desconstruído e um realismo silvestre. (...) 

Um beijo bom,
Camilla.
obs: preciso de dicas pra editar em html, help me! :X

Um comentário:

Nat King Cole disse...

eu vi o filme em questão.....o Morro dos ventos uivantes é um livro que eu não ousaria a ler! eu gosto de romances..

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